Quanto custa mesmo contratar o primeiro funcionário do ginásio: TSU, seguro e subsídios

Equipa Stryde · 12 min de leitura · Atualizado a 27 de agosto de 2026
Resposta rápida

Um funcionário a 1.000 EUR brutos custa-te cerca de 18.970 EUR por ano, ou seja, à volta de 1.580 EUR por mês. À base somam-se a TSU de 23,75% a cargo da entidade patronal, os catorze meses (férias e Natal), o subsídio de alimentação e o seguro de acidentes de trabalho. Conta 1,58 vezes o bruto.

Neste artigo
  1. Porque é que o salário bruto não é o custo real?
  2. Quanto paga o ginásio de TSU por cada funcionário?
  3. Quanto custa ao certo um funcionário a 1.000 EUR?
  4. E se pagares o salário mínimo? E se pagares mais?
  5. Que custos ficam de fora da folha salarial?
  6. Como posso pagar menos TSU sem sair da lei?
  7. Quantos sócios pagam este funcionário?
  8. Que prazos tenho de cumprir com a Segurança Social?
  9. Perguntas frequentes
  10. Fontes

Porque é que o salário bruto não é o custo real?

Quando combinas 1.000 EUR com a pessoa que te vai ficar ao balcão, estás a combinar o que ela recebe, não o que tu pagas. O bruto é só a base. Por cima dele, o Estado, a seguradora e o Código do Trabalho acrescentam-te as suas parcelas, e nenhuma é opcional.

O erro clássico de quem contrata pela primeira vez é orçamentar doze salários. São catorze, porque o subsídio de férias e o de Natal contam como retribuição e a Segurança Social incide sobre eles na mesma. Depois vêm-te por cima a TSU da entidade patronal, o seguro de acidentes de trabalho e o subsídio de alimentação por cada dia trabalhado. Faz-se a conta uma vez, escreve-se num papel e nunca mais te foge.

Quanto paga o ginásio de TSU por cada funcionário?

A taxa contributiva global para trabalhadores por conta de outrem é de 34,75%, e reparte-se entre 23,75% a cargo da entidade empregadora e 11% descontados ao trabalhador, segundo as taxas publicadas pela Segurança Social e confirmadas no Guia Fiscal 2026 da PwC.

Os 11% não te custam nada: saem do bruto do trabalhador e tu só os entregas. Os 23,75% é que te saem do bolso, por cima do salário. É essa a parcela de que se esquece a maioria dos donos quando faz contas de cabeça.

Atenção a uma coisa que apanha muita gente: a TSU incide também sobre o subsídio de férias e sobre o de Natal. Em junho e em dezembro, o encargo com esse funcionário duplica-te. Se não os tiveres previstos na tesouraria, esses dois meses doem-te, sobretudo num negócio com a sazonalidade típica de um ginásio.

Quanto custa ao certo um funcionário a 1.000 EUR?

Vamos fechar-te a conta com um cenário concreto: rececionista ou monitor de sala, contrato a tempo inteiro, 1.000 EUR de base e subsídio de alimentação em dinheiro no valor máximo isento de 2026, que é de 6,15 EUR por dia (idealista/news, janeiro de 2026).

RubricaComo se calculaPor anoMédia por mês
Salário base, 14 meses1.000 x 1414.000,00 EUR1.166,67 EUR
TSU da entidade patronal, 23,75%14.000 x 0,23753.325,00 EUR277,08 EUR
Subsídio de alimentação, 6,15 EUR/dia6,15 x 22 dias x 11 meses1.488,30 EUR124,03 EUR
Seguro de acidentes de trabalho, 1% estimado1% de 15.488,30154,88 EUR12,91 EUR
Total18.968,18 EUR1.580,68 EUR

Os catorze meses vêm do direito ao subsídio de Natal e ao subsídio de férias, ambos fixados no Código do Trabalho e explicados no lexionário do Diário da República. O subsídio de alimentação dentro do limite não paga TSU nem IRS, e é por isso que se torna a rubrica mais eficiente da tabela toda.

Uma nota que quase ninguém te dá: no privado, o subsídio de alimentação não nasce da lei geral, nasce-te do contrato, do instrumento de regulamentação coletiva que te for aplicável ou do uso da empresa, e os 6,15 EUR são a referência da função pública que serve de teto à isenção (CalculaPT). Na prática, quem não o paga não segura ninguém ao balcão, por isso orçamenta-o à mesma e pergunta ao teu contabilista a que é que a tua atividade te obriga.

A percentagem do seguro é a única linha que não te sei dizer ao cêntimo. O prémio depende do CAE, da massa salarial e do histórico de sinistralidade. A ordem de grandeza que se usa para trabalho de balcão e escritório anda à volta de 1% da massa salarial (Checkmate). Trata essa linha como um piso, não como uma promessa: numa comparação de propostas para uma empresa com cinco trabalhadores e 63.000 EUR de massa salarial, os prémios anuais foram de 823,85 EUR a 1.238,19 EUR, ou seja, entre 1,3% e 2% (Comparaja). Se o teu prémio ficar nos 2%, a tabela de cima leva-te mais 13 EUR por mês, e a conta grande não se mexe. Num ginásio, com sala de musculação e aulas, pede pelo menos três propostas e compara-as antes de fechares, porque não existe tabela pública por atividade.

E se pagares o salário mínimo? E se pagares mais?

O salário mínimo nacional está fixado em 920 EUR desde 1 de janeiro de 2026, pelo Decreto-Lei n.º 139/2025 (DGERT). Deixamos-te três cenários com a mesma metodologia da tabela anterior.

Salário baseCusto anualCusto médio mensalMultiplicadorVeredicto
920 EUR (mínimo)17.570,98 EUR1.464,25 EUR1,59xMultiplicador mais alto dos três
1.000 EUR18.968,18 EUR1.580,68 EUR1,58xO cenário típico de balcão
1.400 EUR25.954,18 EUR2.162,85 EUR1,54xSai proporcionalmente mais barato

Repara no que a última coluna te mostra. Quanto mais baixo é o salário, maior é o multiplicador, porque o subsídio de alimentação é um valor fixo por dia e pesa-te mais sobre uma base pequena. Contratar ao mínimo não te sai tão barato como parece: entre 920 e 1.000 EUR de base, a diferença de custo total fica-se por pouco mais de 116 EUR por mês.

Que custos ficam de fora da folha salarial?

Há custos que não te entram na folha mas entram-te na conta bancária. Orçamenta-os todos antes de assinares o contrato.

  • Medicina no trabalho. A Lei n.º 102/2009 obriga-te a exame de admissão antes do início da atividade e a exames periódicos, anuais para trabalhadores com mais de 50 anos e de dois em dois anos para os restantes. Os custos ficam a cargo da empresa (Santander). Não existe preço público único: pede-o a um prestador da tua zona.
  • Formação contínua. São 40 horas por ano por trabalhador, no artigo 131.º do Código do Trabalho. Se não as deres, acumulam-se e, quando o contrato acabar, tens de lhas pagar.
  • Férias pagas. São 22 dias úteis por ano. Durante esse mês pagas-lhe o salário e, se o ginásio não puder fechar, pagas ainda a quem o substitui.
  • Faltas e baixas. O subsídio de doença só começa ao quarto dia, com um período de espera de três dias (Segurança Social), e a sala não se fecha por isso.
  • Equipamento e farda. É pouco dinheiro, mas é dinheiro, e repete-se a cada entrada nova.

Junta isto ao resto da estrutura e o retrato fica-te claro: a folha salarial é quase sempre a maior rubrica de um espaço. Se ainda não fizeste esse exercício, o artigo sobre quanto custa manter um ginásio por mês dá-te a estrutura completa.

Como posso pagar menos TSU sem sair da lei?

Há duas vias diretas, e nenhuma te exige truques.

A primeira é o Decreto-Lei n.º 72/2017. Se contratares sem termo um jovem à procura do primeiro emprego, até aos 30 anos e sem contrato sem termo anterior, a taxa a teu cargo baixa-te 50% durante cinco anos: desce de 23,75% para 11,9% e poupa-te cerca de 1.659 EUR por ano no cenário dos 1.000 EUR (DGERT, TOConline). Com desempregados de longa duração, inscritos no IEFP há 12 meses ou mais, a redução é a mesma mas só te dura três anos. A isenção total existe, sim, mas só para desempregados de muito longa duração: 45 anos ou mais e 25 meses ou mais de inscrição, também durante três anos (Segurança Social, diploma no Diário da República). O pedido faz-se na Segurança Social Direta, exige-te situação contributiva e tributária regularizada e tem prazo, por isso trata disso na semana em que o contrato começar.

A segunda é o cartão refeição. Pago em dinheiro, o subsídio só está isento até 6,15 EUR por dia; pago em cartão, a isenção sobe-te para 10,455 EUR por dia. Não é magia: se subires o subsídio, gastas mais. O que ganhas é que cada euro acima dos 6,15 chega inteiro ao trabalhador, sem TSU nem IRS pelo meio, e é por isso que te rende mais em retenção do que a mesma verba dada em salário bruto.

Antes destas duas há uma decisão que te pesa mais do que ambas: o vínculo. Põe lado a lado o contrato de trabalho e a prestação de serviços e compara-os com honestidade, porque a segunda tem regras próprias e um risco real de requalificação. Escrevemos-te sobre isso em contrato de trabalho ou recibos verdes para treinadores e em como pagar aos personal trainers.

Quantos sócios pagam este funcionário?

Pega no custo mensal e divide-o pela tua mensalidade média: sai-te o número que interessa. Com 1.580 EUR de custo e uma mensalidade média de 35 EUR, precisas de 46 sócios ativos só para lhe fazeres face, antes de renda, luz, equipamento e o teu próprio ordenado. Com uma mensalidade média de 45 EUR, o número desce-te para 36.

Faz esta conta com os teus números, não com os do mercado. Se não souberes a tua mensalidade média ao cêntimo, vê primeiro como se calcula a mensalidade média de um ginásio e só depois voltas aqui. Quem tem a previsão financeira ligada ao sistema poupa-se a essa folha de cálculo e vê o impacto da contratação na tesouraria dos meses seguintes.

Que prazos tenho de cumprir com a Segurança Social?

O Decreto-Lei n.º 127/2025 e o Decreto Regulamentar n.º 7/2025, ambos de 9 de dezembro, mudaram-te a mecânica das comunicações. A admissão do trabalhador comunica-se até ao início da execução do contrato, as alterações de remuneração até ao dia 10 do mês seguinte e a confirmação da declaração mensal até ao dia 20. O pagamento das contribuições faz-se entre o dia 1 e o dia 25 do mês seguinte (APCMC). Atenção ao dia 20: se não disseres nada, o silêncio vale-te como aceitação dos valores que o sistema calculou.

Durante 2026 a adesão à nova plataforma é voluntária e torna-se obrigatória a 1 de janeiro de 2027, com exceção para empregadores com menos de 10 trabalhadores, que podem continuar na Segurança Social Direta. Enquanto tiveres menos de 10 pessoas contratadas, fica-te pela Direta e fala com o teu contabilista antes de mudares.

Perguntas frequentes

Qual é a percentagem da TSU que o ginásio paga por cada funcionário?

São 23,75% sobre a retribuição bruta, a cargo da entidade empregadora. O trabalhador desconta mais 11%, que lhe saem do bruto. A taxa global é de 34,75% e incide também sobre o subsídio de férias e sobre o de Natal.

O subsídio de alimentação paga Segurança Social?

Dentro do limite, não paga. Em 2026, o subsídio está isento de IRS e de contribuições até 6,15 EUR por dia se for pago em dinheiro e até 10,455 EUR por dia se for pago em cartão refeição. Acima disso, o excesso passa a pagar IRS e TSU, e sente-lo logo na folha.

Quanto custa por mês um funcionário ao salário mínimo?

Custa-te cerca de 1.464 EUR por mês em média anual, para um salário base de 920 EUR. A conta inclui os catorze meses, os 23,75% de TSU, o subsídio de alimentação a 6,15 EUR por dia e um seguro de acidentes de trabalho estimado em 1% da massa salarial.

O seguro de acidentes de trabalho é obrigatório num ginásio?

Sim, é obrigatório para qualquer trabalhador por conta de outrem. O prémio depende do CAE, da massa salarial e da sinistralidade, e ninguém te dá tabela pública por atividade. Pede pelo menos três propostas: numa comparação para 63.000 EUR de massa salarial, os prémios anuais variaram entre 823,85 EUR e 1.238,19 EUR.

Posso pagar menos TSU se contratar um jovem?

Podes. Com contrato sem termo a um jovem até 30 anos à procura do primeiro emprego, o Decreto-Lei n.º 72/2017 baixa-te a taxa a teu cargo em 50% durante cinco anos, de 23,75% para 11,9%. Tens de ter a situação regularizada no Fisco e na Segurança Social e pedi-lo no prazo previsto.

O Fundo de Compensação do Trabalho ainda se paga?

Não se paga. O Decreto-Lei n.º 115/2023 extinguiu as entregas para o FCT a partir de 1 de janeiro de 2024. Se tiveres saldo acumulado de contratações antigas, podes mobilizá-lo até 31 de dezembro de 2026.

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Fontes

Equipa Stryde
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