Vale, se a tua praça ainda não estiver cheia e se conseguires manter os campos acima de 40% de ocupação. A unidade de conta é a hora de campo, não o sócio: a 24 EUR por hora e 420 horas vendáveis por mês, cada campo rende cerca de 4.000 EUR mensais a 40%. Abaixo de 30%, não te paga.
Neste artigo
- Que unidade é que tens mesmo de contar?
- Quanto rende uma hora de campo?
- Que ocupação preciso para pagar o investimento?
- Coberto ou descoberto: o que muda mesmo no inverno?
- Aluguer avulso, quotas ou aulas: onde está o dinheiro?
- Quando é que não vale a pena?
- Já tens ginásio e queres acrescentar campos?
- Perguntas frequentes
- Fontes
Que unidade é que tens mesmo de contar?
Se vens do fitness, trazes um reflexo que aqui te prega uma partida: contar sócios. Num ginásio, o sócio paga-te esteja lá ou não, e a conta faz-se ao mês. Num clube de padel ninguém te paga por estar inscrito. Paga-te por ocupar um campo durante uma hora, e essa hora, se ninguém a comprar, evapora-se às onze da noite e não ta devolve ninguém.
Isso muda-te tudo o que decides a seguir. O número que te interessa não é quanta gente tens na base de dados, é quantas das horas que tens para vender é que as vendes mesmo. Chama-se taxa de ocupação, mede-se por campo e por faixa horária, e é a única coisa que te diz se o clube se paga a si próprio.
O mercado ainda te ajuda, mas já não te oferece nada de mão beijada. Portugal tem cerca de 300 mil praticantes e à volta de 2.000 campos, segundo o levantamento do ECO em junho de 2025, e o número de clubes federados subiu para perto de 340 no final desse ano, com mais de cem campos previstos só na zona de Cascais. Há cinco anos enchia-se com o que aparecesse à porta. Hoje enche-se com preço, horário e gestão, e quem não os trabalha fica-se pelo pico.
Quanto rende uma hora de campo?
O preço público anda entre 10 e 30 EUR por hora e por campo, conforme a zona e o horário, e em Lisboa fica-se pelos 12 a 20 EUR fora de pico, segundo o guia Padeli de 2026. Se quiseres um exemplo real e publicado, o Lambert Clube cobra 7 EUR por jogador em hora premium e 5,50 EUR em hora leve, o que te dá 28 EUR e 22 EUR por campo.
Guarda 24 EUR como preço médio ponderado, porque o teu ano não é só pico. Um campo aberto das 8h às 23h dá-te 15 horas, das quais 14 se vendem com honestidade. Multiplica-as por 30 e ficas com 420 horas por mês. É esse o inventário que tens para vender, e é contra ele que a ocupação se mede.
| Ocupação | Horas vendidas por mês | Receita por campo e mês | Receita por campo e ano |
|---|---|---|---|
| 25% | 105 | 2.520 EUR | 30.240 EUR |
| 30% | 126 | 3.024 EUR | 36.288 EUR |
| 40% | 168 | 4.032 EUR | 48.384 EUR |
| 50% | 210 | 5.040 EUR | 60.480 EUR |
| 60% | 252 | 6.048 EUR | 72.576 EUR |
Repara no que a tabela te está a dizer. Entre 30% e 40% de ocupação vão 12.000 EUR por campo e por ano, e não há obra nenhuma que tos traga. Dão-tos o horário, o preço por faixa e a rapidez com que uma hora libertada se volta a vender.
Que ocupação preciso para pagar o investimento?
Primeiro o lado do investimento, com números públicos. A estrutura de um campo com vidro temperado e suportes de iluminação orça-se em 20.512,13 EUR no Gerador de Preços para Portugal, e essa verba não te inclui fundação, pavimento desportivo, luminárias nem instalação elétrica. Há fornecedores a anunciar campos chave na mão entre 18.000 e 25.000 EUR sem o terreno e entre 25.000 e 30.000 EUR na versão de competição. Preço fiável de cobertura por campo não o encontrámos publicado, por isso não to damos: pede três orçamentos e compara-os.
Segundo, o lado da exploração. A hipótese abaixo montámo-la nós com médias de mercado, e não é um caso real de clube nenhum. Serve para veres o mecanismo, não para lhe copiares os valores.
Quatro campos, dois deles cobertos, num pavilhão arrendado à periferia de uma cidade média. Investimento de 220.000 EUR entre campos, obra, balcão e vestiários. Custos fixos de 9.300 EUR por mês, que se repartem assim: 3.500 de renda, 3.800 de pessoal, 900 de energia e água, 1.100 de seguro, contabilidade, limpeza e software.
| Marco | Ocupação necessária | O que te acontece |
|---|---|---|
| Cobrir os custos fixos | 23% | Pagas as contas do mês e não amortizas nada |
| Amortizar em 5 anos | 32% | O clube devolve‑te o capital, sem folga |
| Amortizar em 3 anos | 39% | Começas a poder pagar‑te a ti |
| Folga para crescer | 50% ou mais | Sobra para um quinto campo ou para cobrires os outros |
Os 23% enganam muita gente. Pagas as contas, sentes-te confortável, e o dinheiro da obra continua parado: ao fim de três anos ainda não o recuperaste. A fasquia honesta é 32%, e quem monta um clube sem lá chegar está a financiar-se a si próprio um passatempo caro.
Convém teres presente uma coisa que não aparece em folha de cálculo nenhuma: a ocupação não se distribui por igual. Das 19h às 22h enches-te todos os dias e ainda vendias o dobro. Das 10h às 17h de terça-feira o pavilhão fica-te vazio. Quando alguém te disser que está a 45%, pergunta-lhe onde, porque a média esconde-te o problema todo. Se quiseres ver a mesma conta aplicada a salas de aula, a taxa de ocupação calcula-se exatamente da mesma maneira.
Coberto ou descoberto: o que muda mesmo no inverno?
É a decisão que mais dinheiro te mexe e a que mais gente adia. Um campo descoberto custa-te menos a montar e paga-se depressa de abril a setembro. Depois chega outubro e a conta vira-se.
As normais climatológicas do IPMA para Lisboa entre 1991 e 2020 dão 75,5 dias por ano com precipitação igual ou superior a 1 mm, e 54 deles caem-te entre outubro e março, com dezembro e janeiro a bater nos 10 dias cada. No Porto e no interior norte multiplica isso. E não perdes só o dia de chuva: perdes a hora anterior, porque com o céu carregado ninguém te reserva nada, e perdes a seguinte, porque a relva ainda não secou.
| Opção | Investimento por campo | Inverno em Lisboa | Preço que aguenta | Veredicto |
|---|---|---|---|---|
| Descoberto | O mais baixo dos dois, sem estrutura de cobertura | Perde horas em cerca de 54 dias de chuva de outubro a março | Tem de descer fora de época para encher | Barato a abrir, frágil no inverno |
| Coberto | Acresce a cobertura, sem preço público fiável em Portugal | Vende os doze meses quase na mesma | Sustenta a tarifa de pico o ano inteiro | Custa mais, estabiliza‑te a caixa |
A regra prática ouve-se a quem já opera: se vais abrir quatro campos, cobre-me pelo menos dois. Os cobertos seguram-te o inverno e a escola, os descobertos absorvem o pico de verão sem te obrigarem a duplicar a obra. E se só te chega o dinheiro para campos descobertos, entra nisso a saber que o plano de tesouraria te vai ter um buraco sazonal entre novembro e fevereiro, todos os anos.
Aluguer avulso, quotas ou aulas: onde está o dinheiro?
Um clube que vive só de aluguer avulso recomeça-se todas as segundas-feiras. Enche às sete da tarde, esvazia-se às dez da manhã e não te deixa receita previsível nenhuma para mostrares ao banco. Os três canais fazem coisas diferentes e convém cruzá-los:
- Aluguer avulso. Preço mais alto por hora, compromisso zero. Enche-te o pico e deixa-te o resto vazio. Aceita-o pelo que é e cobra-o em cheio.
- Quotas e horas fixas. O jogador compra a mesma hora todas as semanas durante um trimestre, com desconto. Perdes margem por hora e ganhas ocupação garantida, e é isto que te deixa dormir descansado em janeiro. Vende-as sobretudo nas faixas que não enchem sozinhas.
- Aulas e escola. Ocupam-te a manhã e o início da tarde, que é onde tens o problema, e trazem jogadores novos que depois te alugam campo. A escola não é um extra: é o que te tapa as horas mortas.
- Packs de horas. O jogador pré-paga dez horas e gasta-as quando quiser. Recebes o dinheiro à cabeça e prendes-lhe o hábito sem contrato nenhum. A mecânica é a dos estúdios, e a comparação entre pack e mensalidade aplica-se aqui quase sem retoques.
Se tiveres de escolher uma prioridade para o primeiro ano, escolhe encher as horas mortas com escola e horas fixas. O pico enche-se sozinho, e é por isso que quase toda a gente o mede mal.
Quando é que não vale a pena?
Aqui é onde a conversa te tem de ser desagradável. Há cenários em que abrir um clube de padel é má ideia, e identificam-se todos antes de assinares o que quer que seja. Corre-me esta lista antes de avançares:
- [ ] Mais de um campo por 4.000 habitantes na tua área de captação. Faz o levantamento a pé, campo a campo, nas apps de reserva, e conta também os que abrem nos próximos doze meses. A oferta cresce-nos mais depressa do que a base de jogadores, e o aviso já está publicado, com o precedente sueco à vista.
- [ ] A renda passa de 25% da receita que projetas a 40% de ocupação. Se passar, quem se tornou sócio maioritário foi o senhorio, não foste tu.
- [ ] Não tens dinheiro para cobrires nenhum campo. Quatro campos descobertos no norte do país dão-te um negócio de sete meses por ano com custos de doze.
- [ ] Contas com o pico e mais nada. Se o plano só te fecha com as 19h às 22h cheias todos os dias, não tens plano, tens uma esperança.
- [ ] Vais gerir reservas por WhatsApp e caderno. A 420 horas por campo e mês, com quatro campos, são 1.680 lugares de agenda para mexeres. Isso não se faz à mão sem te escapar dinheiro em faltas e em horas por preencher, e é por isso que a agenda e a lista de espera entram no dia um.
- [ ] Não tens quem dê aulas. Sem treinador não há escola, sem escola não há manhãs, e sem manhãs voltas-me aos 25%.
Se marcares duas destas caixas, adia. Se marcares três, não abras.
Já tens ginásio e queres acrescentar campos?
É outro caso, e quase sempre melhor. Já tens sócios, balcão, seguro e contabilidade a andar, e o campo passa a ser um produto novo que vendes a quem já lá está. O erro habitual é tratares a hora de campo como aula de grupo e meteres-lha no plano de sócio, porque assim ofereces de graça a coisa mais escassa que tens.
Cobra a hora à parte, mesmo aos sócios, com tarifa de sócio se te fizer sentido. E trata os campos como instalação desportiva de uso público, com o que isso te obriga em regras de funcionamento e responsabilidade, seguro e afixação, porque a fiscalização olha para os campos como olha para a sala de musculação.
Antes de decidires o formato, pede os orçamentos da obra e trata do licenciamento, porque são essas duas coisas que te mandam no calendário. Aqui responde-se só a uma pergunta: se a conta fecha ou não fecha.
Perguntas frequentes
Qual é a taxa de ocupação média de um clube de padel em Portugal?
Não existe número público fiável. Nem a federação nem as plataformas de reserva a publicam, e quem te apresentar uma percentagem redonda está a estimar. Mede a tua, por campo e por faixa horária, desde o primeiro mês. É o único valor em que te podes fiar.
Quanto tempo demora a pagar-se um clube de padel?
Depende da ocupação, não do número de campos. No cenário que modelámos, com 220.000 EUR investidos e 9.300 EUR de custos fixos por mês, amortizá-lo em cinco anos exige 32% de ocupação e em três anos exige 39%. Mexe no preço médio ou na renda e a conta muda-se toda.
Compensa abrir só com dois campos?
Raramente. Com dois campos, o balcão, o seguro e a limpeza custam-te quase o mesmo que com quatro, e não te sobra folga para escola e aluguer ao mesmo tempo. Servem-te como extensão de um espaço que já existe, não como clube autónomo.
Preciso de licenciamento próprio para os campos?
Se forem de uso público, aplica-se-lhes o regime das instalações desportivas de uso público, com obrigações de funcionamento, segurança e seguro. A obra depende da câmara e do tipo de estrutura, sobretudo se a cobrires. Trata dos dois processos antes de encomendares campos.
Padel ou ginásio, no mesmo espaço?
São negócios de lógica oposta. O ginásio vende compromisso mensal e aguenta quem não aparece, o padel vende uma hora concreta e morre-te com a hora vazia. Juntos equilibram-se bem, porque um dá-te previsibilidade e o outro dá-te margem por hora.
É isto que a Stryde te tira das mãos: a agenda dos campos, as horas fixas, os packs e a cobrança, tudo no mesmo sítio. Vê-a a funcionar no teu espaço antes de encomendares o primeiro campo. Marcar demo
Fontes
- Decreto-Lei n.º 141/2009, Diário da República. Regime das instalações desportivas de uso público, que enquadra os campos.
- Normal climatológica de Lisboa 1991-2020, IPMA. 75,5 dias de chuva por ano e 54 deles entre outubro e março.
- ECO, junho de 2025. Cerca de 300 mil praticantes, 2.000 campos e 300 clubes federados em Portugal.
- Meios & Publicidade, dezembro de 2025. Perto de 340 clubes federados, mais de cem campos previstos em Cascais e o risco de saturação.
- Gerador de Preços CYPE, Portugal. 20.512,13 EUR de estrutura, vidro e suportes de iluminação, sem fundação nem pavimento.
- Realturf. Campos chave na mão entre 18.000 e 25.000 EUR, terreno excluído.
- Padel5. Cerca de 15.000 EUR num campo básico e 25.000 a 30.000 EUR em versão de competição.
- Padeli, guia de Portugal 2026. Aluguer entre 10 e 30 EUR por hora e por campo, Lisboa entre 12 e 20 EUR.
- Lambert Clube, tabela de preços. Exemplo público de tarifa por jogador em hora premium e hora leve.
- TieSports. Horas mortas nas manhãs e tardes de dias úteis e o peso das faltas.