Alugar uma sala à hora para dar aulas: quanto custa e o que negociar

Equipa Stryde · 11 min de leitura · Atualizado a 27 de agosto de 2026
Resposta rápida

Não existe tabela pública de preços de sala à hora em Portugal, cada espaço faz o seu. O número que te decide o modelo não é o preço à hora, é quantos alunos enches. Enquanto a aula não encher, paga-se avulso. A partir de três aulas cheias por semana, o bloco fixo sai-te mais barato.

Neste artigo
  1. Quanto custa uma sala à hora em Portugal?
  2. Avulso ou bloco fixo: a partir de quantas horas compensa?
  3. E arrendar um espaço só meu, quando faz sentido?
  4. O que tem de estar por escrito antes da primeira aula?
  5. Quem responde se um aluno se magoar na tua aula?
  6. Quem fatura o aluno, tu ou o espaço?
  7. Perguntas frequentes
  8. Fontes

Quanto custa uma sala à hora em Portugal?

Não te dou um preço médio, porque não existe nenhum que se possa citar. Não há série do INE para salas de aula nem tabela de associação nenhuma, e os preços fazem-se de rua para rua. Quem te atirar "são 15 EUR à hora em Portugal" está a citar-te o estúdio do lado, não o país.

O que se pode dizer é o que faz o preço mexer. São seis coisas e vais discuti-las todas:

  • A hora. As 19h de terça não se pagam como as 11h de quinta. Se te dispuseres a encher horas mortas, negoceia com isso.
  • O equipamento. Uma sala vazia não se cobra como uma sala com oito reformers, e a diferença não é só de conforto, é fiscal. Já lá vamos.
  • A exclusividade. Reservar a sala é uma coisa, reservá-la de modo a que mais ninguém dê lá a tua modalidade é outra, e sai-te bem mais caro.
  • Quem traz os alunos. Se o espaço te enche a turma, vai querer uma fatia. Se és tu a trazê-los, compras paredes.
  • A receção e a limpeza. Alguém abre a porta, alguém limpa o chão. Pergunta quem, antes de o dares por garantido.
  • O compromisso. Uma hora solta cobra-se sempre mais cara do que doze assinadas de uma vez.

Os três modelos que te vão propor

ModeloComo se pagaA quem serveO risco que corresVeredicto
Avulso à horaCada hora que reservasQuem começa e não sabe se encheBaixo, cancelas e não pagasCerto para os primeiros meses
Bloco fixo semanalHoras marcadas, pagas ao mêsQuem já tem turma feitaAlto, pagas a sala vaziaCompensa com a turma cheia
Percentagem da receitaUma fatia de cada inscriçãoQuem quer os alunos do espaçoNenhum à cabeça, teto baixoBarato a entrar, caro a crescer

O terceiro é o mais tentador e o mais caro a prazo: não te vende espaço, vende-te clientes. Enquanto fores tu a trazer a turma, põe-no de lado.

Avulso ou bloco fixo: a partir de quantas horas compensa?

A hipótese abaixo montámo-la nós, com números redondos, e não é um caso real nem um preço de mercado: mete lá os teus. A sala custa-te 20 EUR à hora em avulso e o mesmo espaço propõe-te um bloco de quatro horas semanais por 240 EUR ao mês, com o mês a 4,33 semanas.

Aulas por semanaAvulso a 20 EUR/hBloco fixo de 4hQuem ganha
187 EUR240 EURAvulso
2173 EUR240 EURAvulso
3260 EUR240 EURFixo
4347 EUR240 EURFixo

O cruzamento cai entre a segunda e a terceira aula semanal. Muda o desconto e o cruzamento muda com ele, mas a regra aguenta-se: enquanto não tiveres três horas por semana que enchas com previsibilidade, o avulso protege-te. Assim que as tiveres, o bloco paga-se sozinho e ainda te dá horário estável para o anunciares.

Do outro lado está a receita. Oito alunos a 12 EUR dão 96 EUR por aula, ou seja 416 EUR ao mês por cada aula semanal. Com quatro aulas cheias, andas em 1.663 EUR por mês e a sala fica-te em 240. Guarda o número: dá quase 20.000 EUR ao ano, e é isso que te atira para as contas fiscais lá mais abaixo.

E arrendar um espaço só meu, quando faz sentido?

Aqui a conta é outra e quem a faz de cabeça engana-se. A sala à hora só te custa quando a usas. Um espaço arrendado custa-te em agosto, no Natal e na semana em que estiveres doente.

Faz-se assim, com uma folha. Soma o que pagarias num mês de espaço próprio: renda, condomínio, água, luz, seguro, limpeza e software. Divide-o pelo preço da hora avulso que te pedem hoje. Dá-te as horas que tens de encher só para empatares. Se ainda não as enches, não assines nada, e antes de dares o passo corre a lista toda em quanto custa abrir um estúdio de yoga.

O que tem de estar por escrito antes da primeira aula?

Isto não é um arrendamento e não precisa de ser um calhamaço. Precisa é de responder a oito perguntas. Escreve-lhe as respostas antes da primeira aula e guarda-o assinado, mesmo que o espaço seja do teu amigo.

  1. Horário e datas. Que horas, que dias, a partir de quando e até quando.
  2. Aviso prévio dos dois lados. Com quantos dias te tiram a sala e com quantos lhes dizes que sais.
  3. Se o espaço precisar da sala. Workshop, obra, avaria. Alternativa ou devolução: escolhe uma e escreve-a.
  4. Material. O que está incluído, o que levas tu, quem paga se um cinto se rasgar.
  5. Chaves e acesso. Quem abre às 7h. Se depender de alguém aparecer, arranjaste um problema por semana.
  6. Seguro. Qual apólice cobre o aluno e o que te cobre a ti.
  7. Quem emite a fatura ao aluno. É o que decide de quem é a lista.
  8. Preço e revisão. Quanto é, quando sobe e com que aviso.

Junta-lhe uma nona, se lha conseguires arrancar: o que acontece aos alunos quando saíres. Sem nada escrito, o espaço fica com quem lá entrou pela porta da rua e tu ficas com o telemóvel cheio de números. Negoceia essa linha agora, que depois de a relação azedar já ninguém ta assina.

Quem responde se um aluno se magoar na tua aula?

A lei já respondeu por ti, e não é a resposta que a maioria julga. O Decreto-Lei n.º 10/2009 torna o seguro desportivo obrigatório para os praticantes de atividades desportivas em infraestruturas abertas ao público, e celebrá-lo cabe às entidades que exploram a infraestrutura. Ou seja: cabe a quem te aluga a sala, não a ti.

Os capitais mínimos atualizam-se em janeiro de cada ano, pelo índice de preços no consumidor. A 14 de janeiro de 2026, o IPDJ fixou-os assim:

CoberturaCapital mínimo em 2026
Morte33.197,57 EUR
Invalidez permanente absoluta33.197,57 EUR
Invalidez permanente parcial33.197,57 EUR, ponderado pelo grau
Despesas de tratamento e repatriamento5.311,61 EUR
Despesas de funeral2.655,81 EUR

Pede a apólice e uma declaração do segurador a dizer que a cobertura abrange as aulas que dás e as horas a que as dás. Guarda-a. Não te contentes com um "está tudo tratado" ao balcão: se um dia tiveres de explicar isto a um advogado, é o papel que te safa. O resto do que a lei exige a quem explora o espaço, explicámo-lo no seguro obrigatório de ginásio.

E título profissional, preciso de o ter?

Para yoga, não. O IPDJ é expresso: o regime da Lei n.º 39/2012, que obriga ao título de técnico de exercício físico e à supervisão de um diretor técnico, não se aplica a atividades de yoga nem à dança que fique fora da Federação Portuguesa de Dança Desportiva. Se o que dás é fitness dentro de um ginásio, aplica-se-te. O artigo 16.º manda afixar o nome do diretor técnico e o horário dele em lugar bem visível, por isso, quando visitares o espaço, olha primeiro para a parede. Quem precisa de diretor técnico tem artigo próprio.

Quem fatura o aluno, tu ou o espaço?

É esta a pergunta que decide se estás a construir um negócio teu ou o de outra pessoa. Há duas formas e não se equivalem.

Faturas tu. O aluno inscreve-se contigo, paga-te a ti e recebe de ti a fatura. O espaço fatura-te a sala e mais nada. A lista é tua e, no dia em que mudares de morada, os alunos vão contigo porque sempre foram teus.

Fatura o espaço. O aluno inscreve-se lá, paga lá, e depois passam-te um valor por aula ou por aluno. Tira-te a cobrança e o risco, mas o cliente passa a ser do espaço. Aceita-o no primeiro trimestre, para arrancares. Não o mantenhas três anos.

As três contas fiscais que te apanham desprevenido

  1. O IVA das tuas aulas. Se no ano civil anterior não passaste os 15.000 EUR de volume de negócios, ficas no regime de isenção do artigo 53.º do Código do IVA. Se passaste, liquidas à taxa normal: as aulas não têm verba nas listas de taxa reduzida e intermédia e a isenção do artigo 9.º só cobre organismos sem finalidade lucrativa, que tu não és. Quatro aulas cheias por semana põem-te do lado de lá.
  2. O IVA da sala. A locação de imóveis é isenta pelo n.º 29 do mesmo artigo 9.º, mas a isenção não abrange a locação de máquinas e outros equipamentos de instalação fixa. Traduzido: uma sala nua chega-te sem IVA e uma sala equipada chega-te quase sempre com ele. Antes de comparares dois orçamentos, confirma se ambos falam a mesma língua.
  3. A retenção na fonte. Se for o espaço a pagar-te e tiver contabilidade organizada, retém-te IRS na hora: 23% quando a atividade consta da tabela do artigo 151.º, 11,5% nos restantes casos da categoria B, pelo artigo 101.º do Código do IRS. Podes dispensar-te se previres receber menos de 15.000 EUR no ano, bastando escreveres no recibo a menção do artigo 101.º-B. Se forem os alunos, particulares, a pagar-te, não há retenção nenhuma.

Faturares tu obriga-te a ter onde marcar as aulas, ver quem vem, cobrar e emitir, e se ainda resolves isso por mensagem, há como saíres do WhatsApp sem montares uma máquina. Uma nota honesta sobre a Stryde: a faturação certificada com ATCUD, QR e SAF-T vem incluída a partir do Growth, 129 EUR ao mês, e no Starter de 69 EUR paga-se à parte, mais 20 EUR. Quem aluga três horas por semana pesa os preços tanto como a sala, e convém saberes o que a faturação certificada obriga antes de a contratares.

Perguntas frequentes

Preciso de título profissional para dar aulas de yoga numa sala alugada?

Não. O IPDJ diz que o regime da Lei n.º 39/2012, que exige título de técnico de exercício físico e diretor técnico, não se aplica a atividades de yoga. Se deres aulas de fitness num ginásio, aí aplica-se-te, e passas a trabalhar sob um diretor técnico.

Tenho de cobrar IVA aos meus alunos?

Só a partir dos 15.000 EUR de volume de negócios no ano civil anterior. Abaixo disso, ficas no regime de isenção do artigo 53.º do Código do IVA. Acima, liquidas à taxa normal: as aulas de condição física não constam das listas de taxa reduzida nem da intermédia.

O espaço pode ficar com os meus alunos quando eu sair?

Pode, se nada no papel disser o contrário e se for o espaço a emitir a fatura. Quem fatura fica-te com o contacto, o histórico de pagamentos e a relação. Negoceia essa linha antes de assinares, que depois de haver zanga já ninguém ta dá.

O seguro dos alunos é meu ou do espaço?

Do espaço. O Decreto-Lei n.º 10/2009 manda que a celebração do seguro desportivo caiba às entidades que exploram infraestruturas abertas ao público. Pede a apólice por escrito e confirma que a cobertura te chega às aulas, com os capitais mínimos de 2026 que o IPDJ publica.

A lista de alunos num caderno, as marcações por mensagem e o teu dinheiro à mistura com o do espaço, é isto que a Stryde te tira das mãos. Vê-a a funcionar antes de assinares o próximo trimestre de sala. Marcar demo

Fontes

Equipa Stryde
Escrevemos sobre a gestão de ginásios, boxes, estúdios e escolas em Portugal. Factos verificados, fontes à vista.
Migração incluída

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