Liga primeiro à bolsa de substitutos, não ao grupo dos alunos. Quem entra tem de ter título profissional válido do IPDJ: na Operação FIT, a ASAE fiscalizou 81 instalações desportivas e suspendeu 10. Se ao fim de 20 minutos ninguém te confirmar, avisa a turma e devolve-lhes o crédito da aula.
Neste artigo
- O coach ligou a dizer que não vem. O que faço na primeira hora?
- Quem é que pode entrar no lugar dele?
- Como monto a bolsa de substitutos antes de precisar?
- Por que ordem aviso os alunos, e por que canal?
- Não apareceu ninguém. O que ofereço à turma?
- E se a saída for definitiva, e a turma for dele e não da casa?
- Perguntas frequentes
- Fontes
O coach ligou a dizer que não vem. O que faço na primeira hora?
A ordem importa mais do que a rapidez. Primeiro procuras substituto, só depois falas com a turma, porque um cancelamento que se desdiz meia hora mais tarde custa-te mais credibilidade do que o cancelamento em si. Quem já leu "a aula das 19h não se realiza" não te volta a abrir a mensagem seguinte.
Dá-te 20 minutos para a primeira parte. Pegas na lista de substitutos e ligas-lhes por ordem, aos três primeiros. Ligas, não mandas mensagem: quem está a almoçar não te lê o WhatsApp, mas atende o telefone. Se ninguém te confirmar dentro desses 20 minutos, assumes que não há aula e passas à comunicação sem te alongares mais.
| Minuto | O que fazes | Detalhe que salva a jogada |
|---|---|---|
| 0 a 5 | Confirmas com o coach se falha uma aula ou o dia inteiro | Pergunta‑lhe já pelos turnos de amanhã |
| 5 a 20 | Ligas aos três primeiros nomes da bolsa | Diz‑lhes a hora, a aula e o valor à cabeça |
| 20 a 30 | Fechas o substituto ou desistes | Pede‑lhe o comprovativo do título se for a primeira vez |
| 30 a 40 | Avisas os inscritos na aula, um a um | Devolve‑lhes o crédito na mesma mensagem |
| 40 a 60 | Afixas na porta e atualizas o horário online | Quem não te leu o email vê à entrada |
Um pormenor que se esquece sempre: alguém tem de estar à porta à hora da aula. Aparece sempre um que não leu nada, e ninguém lhe explicar nada à frente de uma porta fechada custa-te mais reclamações do que a aula perdida.
Quem é que pode entrar no lugar dele?
Não é qualquer pessoa disponível, e é aqui que muitos se queimam. A Lei n.º 39/2012 manda que a orientação da atividade física em instalação desportiva de uso público seja feita por quem tem título profissional de técnico de exercício físico. O título emite-se pelo IPDJ, custa 50 EUR pela via do curso ou da licenciatura, vale cinco anos e renova-se com créditos de formação contínua.
A casa tem ainda de afixar, em local visível para os utentes, a identificação do diretor técnico e o horário de permanência dele na instalação. Se o coach que faltou é também o teu diretor técnico, não é só a aula que fica a descoberto, é a instalação inteira, e convém saberes isso antes de improvisares. Há mais detalhe sobre a figura em diretor técnico obrigatório.
Isto não é teoria de secretária. Na Operação FIT, a 13 de novembro de 2025, a ASAE fiscalizou 81 instalações desportivas, suspendeu de imediato a atividade de 10 e levantou 32 contraordenações, com a falta de diretor técnico com título válido, a falta de licenciamento e a falta de seguro à cabeça das infrações. Vale a pena perceberes o que a ASAE procura numa inspeção antes de a receberes.
Antes de pores seja quem for a cobrir um turno, confirma três coisas:
- Título profissional válido. Pede-lhe o comprovativo, guarda-o em ficheiro e mete a data de validade no calendário.
- Enquadramento do pagamento. Recibo verde, contrato ou tarefa avulsa, mas escrito. Explicamo-lo melhor em contratos e recibos verdes de treinadores.
- Seguro. Verifica se a apólice cobre técnicos que não constam do quadro fixo. Muitas não os cobrem.
Um aluno veterano, por muito bom que seja, não te substitui um técnico habilitado. Podes pedir-lhe que abra a porta e ajude a montar, mas não que oriente a sessão.
Como monto a bolsa de substitutos antes de precisar?
A bolsa monta-se uma vez e serve-te durante anos. Não é uma lista guardada na cabeça: é gente com quem já falaste, que já te conhece o espaço e que sabe quanto ganha se aparecer.
- Faz a lista de cinco nomes. Coaches de boxes vizinhas que não te fazem concorrência direta, ex-colaboradores em bons termos, freelancers da zona, o teu diretor técnico e um instrutor de outra modalidade.
- Fala com cada um antes de precisares. Dez minutos ao telefone a explicar o formato, o nível da turma e o que se paga. Quem só te ouve a voz em pânico diz-te que não.
- Confirma as habilitações agora, não no dia. Pede os comprovativos e junta-os na mesma pasta, com data de renovação. O processo de contratação com títulos profissionais aplica-se na mesma a quem vem só por uma tarde.
- Fixa um valor por aula avulsa e escreve-o. Não há tabela pública em Portugal para substituições pontuais, portanto o número sais-te tu, mas define-o antes e não à pressa ao telefone.
- Deixa o plano da aula escrito e acessível. Se o substituto tem de perguntar o que se faz hoje, já perdeste vinte minutos.
- Revê a bolsa de seis em seis meses. Metade dos números morre-te num ano.
Se cada substituto der uma aula tua por trimestre, ganhas duas coisas: os alunos já lhe conhecem a cara e tu já sabes se ele aguenta a turma.
Por que ordem aviso os alunos, e por que canal?
Quem está inscrito na aula, avisa-lo primeiro e em separado. O grupo geral vem depois, se vier. Mandar a notícia para um grupo de 200 pessoas só para chegar às 14 que iam às 19h enche-te a caixa de perguntas de quem nem sequer ia treinar.
A mensagem leva três coisas, por esta ordem: a aula de hoje não se realiza, o crédito já lhes voltou à conta, e a alternativa concreta com dia, hora e nome de quem dá. Sem alternativa, é uma má notícia seca. Com alternativa, é logística.
Manda-a por email ou pela app, não por WhatsApp em nome pessoal. O WhatsApp abre trinta conversas que depois tens de as fechar uma a uma, e às sete da manhã não te apetece nenhuma. Já te contámos aqui como tirar as marcações do WhatsApp, e o princípio é o mesmo: quem está na lista da aula recebe, quem não está não recebe.
Não apareceu ninguém. O que ofereço à turma?
Devolver o crédito é o mínimo e faz-se sempre, mesmo que ninguém peça. Depois disso tens escolhas, e cada uma custa-te uma coisa diferente. A comparação abaixo montámo-la nós a partir da prática corrente, não é um estudo.
| Opção | O que dás ao aluno | Custo direto | Risco | Veredicto |
|---|---|---|---|---|
| Devolver o crédito da aula | A sessão volta ao saldo | Zero | Nenhum | Faz‑se sempre, não chega |
| Abrir o espaço em treino livre | Acesso sem coach a orientar | Zero | Sem técnico não é aula | Só com regras muito claras |
| Sessão de reposição marcada | Aula extra em dia fixo | Custo de um coach | Ninguém aparece se demorar | Melhor para packs e créditos |
| Aula dobrada na semana seguinte | Turno adicional no horário | Custo de um coach | Enche demais a sala | Bom quando falham várias |
| Devolver dinheiro da mensalidade | Nota de crédito proporcional | Alto | Abre precedente | Só em falhas repetidas |
Atenção ao treino livre. Sem técnico habilitado a orientar, aquilo não é uma aula e não podes vendê-lo como tal. Abrir a sala com regras afixadas, sem prescrição de exercício e sem ninguém a corrigir posições, é uma coisa. Pôr alguém a comandar a sessão sem título é outra, e é essa que te sai cara.
E se a saída for definitiva, e a turma for dele e não da casa?
Aqui muda tudo. Se o coach é trabalhador por conta de outrem, o Código do Trabalho fixa no artigo 400.º o aviso prévio da denúncia: 30 dias com até dois anos de antiguidade, 60 dias acima disso. Se é prestador de serviços a recibo verde, o aviso é o que estiver escrito no contrato, e se não escreveste nada, não te resta nada.
Quanto à cláusula que proíbe o coach de abrir a três ruas de distância: o artigo 136.º do mesmo código admite o pacto de não concorrência, mas exige forma escrita, limita-o a dois anos após o fim do contrato (três em casos de especial confiança) e obriga-te a pagar uma compensação durante esse período. Sem compensação, a cláusula não se aplica. Não te vou dizer que é a rede que te protege, porque não é.
O que segura a turma na casa é estrutura, e essa constrói-se antes:
- A aula tem o nome da casa, não o nome dele. "Metcon das 19h", não "o treino do Rui".
- O plano de cada sessão fica escrito num sítio a que tu tens acesso, não no caderno pessoal do coach.
- Os contactos e os saldos dos alunos vivem no sistema da casa, não no telemóvel de quem dá a aula. Uma lista de aula com espera automática resolve-o sem ninguém dar por isso.
- Fazes rotação: cada turma vê pelo menos dois coaches diferentes por mês.
Nenhuma destas quatro coisas se monta na semana em que ele te diz que sai. Montam-se agora, enquanto ainda te sobra tempo.
Perguntas frequentes
Posso pôr um aluno experiente a dar a aula?
Não. A Lei n.º 39/2012 exige título profissional de técnico de exercício físico a quem orienta a atividade em instalação desportiva de uso público. O aluno pode ajudar-te a montar material e a receber pessoas, mas se comanda a sessão estás em incumprimento, e é isso que a ASAE verifica.
Quanto devo pagar a um substituto por uma aula avulsa?
Não existe tabela pública em Portugal para substituições pontuais, por isso qualquer número que te dessem aqui seria inventado. Define-o tu, escreve-o na ficha de cada substituto e mantém-no igual para todos, senão dás-te mal na primeira conversa entre eles.
Sou obrigado a devolver dinheiro quando cancelo uma aula?
Devolver o crédito da sessão é a prática corrente e evita reclamações. A devolução em dinheiro depende do teu regulamento e do contrato que o aluno assinou. Escreve-o antes de precisares e aplica-o sempre igual, sem exceções de balcão.
O diretor técnico tem de estar presente em todas as aulas?
A lei obriga a afixar a identificação do diretor técnico e o respetivo horário de permanência na instalação, em local visível. Se ele for também o teu único coach e faltar, ficas com duas falhas ao mesmo tempo. Convém teres um segundo nome habilitado à mão.
Quantos substitutos preciso de ter na bolsa?
Cinco nomes chegam para uma box ou estúdio com horário normal. Abaixo de três, uma gripe deita-te o dia abaixo. Se tiveres mais de vinte aulas por semana, sobe para sete e garante que pelo menos dois te cobrem cada formato que vendes.
É isto que a Stryde te tira das mãos: a lista de quem estava inscrito, o aviso e o crédito devolvido, sem seres tu a fazê-lo aula a aula. Vê-a a funcionar no teu espaço. Marcar demo
Fontes
- Lei n.º 39/2012, de 28 de agosto, Diário da República sustenta a exigência de título profissional e a figura do diretor técnico.
- Título Profissional de Técnico de Exercício Físico, IPDJ sustenta a taxa de 50 EUR e a validade de cinco anos.
- Título Profissional de Diretor Técnico, IPDJ sustenta os requisitos de habilitação do TPDT.
- Enquadramento da atividade dos técnicos de fitness, IPDJ sustenta a obrigação de afixar o diretor técnico e o horário de permanência.
- Instalações desportivas e ginásios, legislação, ASAE sustenta que a fiscalização cabe à ASAE.
- Código do Trabalho, versão consolidada, Diário da República sustenta os artigos 400.º e 136.º.
- Operação FIT da ASAE, 13 de novembro de 2025 sustenta as 81 instalações, as 10 suspensões e as 32 contraordenações.