Um leitor de QR ou cartão à porta custa-te entre 73 e 250 EUR. Um torniquete tripoide eletrónico fica-te nos 1.221 a 1.931 EUR e um de corpo inteiro sobe-te aos 4.121 a 6.393 EUR, sempre sem IVA nem instalação. Antes de escolheres, pergunta-lhes se aquilo trava quem está em atraso.
Neste artigo
- Quanto custa um torniquete de ginásio em Portugal?
- O que é que o preço do equipamento não inclui?
- O torniquete bloqueia sozinho quem tem a mensalidade em atraso?
- Cartão, QR ou biometria: qual deles escolher?
- Biometria em ginásios: porque é que este é o erro caro
- Precisas mesmo de torniquete?
- Perguntas frequentes
- Fontes
Quanto custa um torniquete de ginásio em Portugal?
Em Portugal, os fornecedores de controlo de acessos não dizem o preço antes de te sentarem numa reunião. A IDONIC lista os seus modelos de torniquete tripoide sem mostrar um único valor, e o mesmo acontece na maioria dos catálogos portugueses: mandam-te pedir proposta. Para te dar chão firme, fomos aos distribuidores europeus que publicam tabela aberta. Os números abaixo são de catálogo, sem IVA nem instalação, e servem sobretudo para veres se a proposta que te chegar cai dentro ou fora do mercado.
| Escalão | O que é | Preço de catálogo | Veredicto |
|---|---|---|---|
| Leitor de QR ou cartão à porta | Golmar GM‑QRX2, Hikvision DS‑K1105EDKB‑QR, ZKTeco QR600 | 73 a 250 EUR | Chega à esmagadora maioria |
| Terminal de parede com ecrã | Suprema X‑Station 2 | 697 a 1.655 EUR | Custa caro para o que resolve |
| Torniquete mecânico, sem eletrónica | Rasec, na Manutan Portugal | 705 a 785 EUR | Conta pessoas, não valida ninguém |
| Torniquete tripoide eletrónico | Hikvision DS‑K3G411, várias versões | 1.221 a 1.931 EUR | Serve o ginásio de rua |
| Barreira de batentes, corredor largo | Dahua DHI‑ASGB210Z‑R | cerca de 1.800 EUR | Deixa passar cadeiras de rodas |
| Torniquete de corpo inteiro | CONAC‑873, Hikvision DS‑K3H4210LX | 4.121 a 6.393 EUR | Justifica‑se só se abrires sem ninguém |
Os preços de tripoide e de corpo inteiro tirámo-los do catálogo público da Orbita Digital, e o do torniquete mecânico da Manutan Portugal, que o vende a 705 EUR sem IVA na versão simples. Guarda-os como referência, não os tomes por orçamento.
O que é que o preço do equipamento não inclui?
Quase tudo o que te dá trabalho. O torniquete chega numa palete e a partir daí paga-se obra: alimentação elétrica no sítio certo, caminho de cabo até ao balcão, chumbadouros no pavimento, ponto de rede e mão de obra do instalador. Nenhum fornecedor português publica estes valores, por isso não te dou um número que não consegui verificar. Pede duas propostas fechadas, com obra incluída, e compara-as linha a linha.
Há ainda três coisas que aparecem sempre depois:
- Falta-te a barreira lateral. Um tripoide isolado contorna-se num segundo. Se não fechares o vão com um corrimão ou com o balcão, gastaste 1.500 EUR para as veres passar ao lado.
- Os cartões gastam-se. Se fores por cartão, tens de os comprar, de os personalizar e de os repor quando se perdem. Com QR no telemóvel nada disto acontece.
- A saída paga-se à parte. Muitos modelos vendem-se unidirecionais. Se quiseres controlar entrada e saída, o mecanismo é outro e sai mais caro.
O torniquete bloqueia sozinho quem tem a mensalidade em atraso?
É aqui que se decide a compra, e quase ninguém te faz esta pergunta na proposta. Há três arquiteturas possíveis e só uma te poupa trabalho.
Um: o fabricante guarda a lista dele. O controlador tem a sua base de utilizadores e és tu que a ativas ou a desativas, pessoa a pessoa, dentro do software do hardware. É o mais barato e o mais traiçoeiro: passas a ter dois sistemas com sócios, e quem cancelou na segunda continua a entrar até alguém se lembrar de o apagar.
Dois: sincronizas por ficheiro. Tiras a lista do teu software de gestão e carrega-la no controlador, uma vez por semana ou por mês. Funciona, mas o atraso sai caro: quem falhou o pagamento no dia 5 treina-te de graça até à importação seguinte.
Três: integras a sério. O leitor pergunta ao software de gestão, o software responde-lhe no momento e o torniquete abre ou não abre. É o único desenho em que a mensalidade em atraso trava a entrada sem que ninguém toque numa lista.
Se estás a comprar hardware, copia esta pergunta, escreve-a na tua consulta e não assines sem que ta respondam por escrito: o equipamento consulta o meu software de gestão em tempo real, ou obriga-me a manter uma lista à parte? Se alguém te vender a primeira arquitetura e lhe chamar integração, agradece e continua a procurar. E se a cobrança é o teu problema de fundo, o torniquete não to resolve. Isso trata-se antes, no processo de cobrança de mensalidades em atraso.
Uma nota de honestidade, porque a mereces: a Stryde não te vende torniquetes nem garante que um torniquete qualquer abra com ela. O que a Stryde faz é o check-in por QR code e saber, a cada entrada, se aquele sócio está em dia. A ligação física ao ferro confirma-se caso a caso com o instalador, antes de assinares seja o que for.
Cartão, QR ou biometria: qual deles escolher?
| Método | Custo por sócio | Onde falha | Veredicto |
|---|---|---|---|
| Cartão ou pulseira RFID | cerca de 0,40 EUR por cartão | Perde‑se, empresta‑se, repõe‑se | Resolve, mas dá trabalho contínuo |
| QR no telemóvel | zero | Telemóvel sem bateria à porta | Ganha hoje por defeito |
| PIN no teclado | zero | Partilha‑se entre amigos num dia | Sai barato e fura‑se fácil |
| Reconhecimento facial ou digital | zero em consumíveis | Regime jurídico pesado, ver abaixo | Evita‑o, salvo caso muito justificado |
O cartão em si é barato: cem cartões Mifare compram-se por 39,50 EUR com IVA, o que te dá menos de meio euro cada. O que custa é o resto: alguém ao balcão a emitir, a bloquear e a substituir os cartões.
O QR ganha por uma razão prosaica: o sócio já traz o telemóvel consigo e o código vive dentro da app de sócios que abre para marcar aula. Não te obriga a comprar plástico nem a repô-lo quando se perde, e, quando alguém suspende o contrato, o código deixa-o à porta logo na entrada seguinte.
Biometria em ginásios: porque é que este é o erro caro
A impressão digital e a cara são dados biométricos, e o RGPD trata-os como categoria especial. Não é questão de gosto nem de fornecedor, é de base legal, e quem se engana aqui não se engana barato.
Para trabalhadores há regra escrita: o artigo 28.º, n.º 6 da Lei n.º 58/2019 só te deixa tratar biometria para assiduidade e para acesso às instalações do empregador, e obriga a usar apenas representações não reversíveis dos dados.
Para sócios, que não são teus trabalhadores, a coisa muda de figura. A CNPD é clara: fora da relação laboral o fundamento é o consentimento, tens de dar sempre uma via alternativa a quem recusar e não lhe podes criar obstáculos. Ou seja, o torniquete biométrico nunca te dispensa de manteres o cartão ou o QR a funcionar ao lado. Acresce que o Regulamento n.º 1/2018 da CNPD sujeita a avaliação de impacto o tratamento de dados biométricos para identificação inequívoca de pessoas vulneráveis, o que te apanha se tiveres menores no espaço.
E o preço do erro? As contraordenações da Lei 58/2019 vão, para PME, de 1.000 a 1 milhão de euros nas graves e de 2.000 a 2 milhões nas muito graves. Compara isso com os 73 EUR de um leitor de QR e vês logo de que lado te fica a conta. Se ainda não arrumaste a parte documental, começa pelo RGPD aplicado aos dados dos sócios e pelas regras da videovigilância, que te caem no mesmo balcão.
Precisas mesmo de torniquete?
Antes de gastares, passa os olhos por esta lista. Se responderes que não a quatro destas cinco perguntas, compra um leitor de 100 EUR e fica-te por aí:
- Abres em horários sem ninguém ao balcão?
- Tens mais de 300 sócios ativos e fila à entrada às 19h?
- Já apanhaste pessoas a entrar com o código de outra?
- Precisas de provar ocupação real por hora, com registo?
- Tens porta única e vão estreito, onde o ferro cabe sem obra grande?
Num estúdio de 80 alunos, com aulas marcadas e alguém na receção, o torniquete não te devolve o investimento. Compensa mais fechares a marcação e o pagamento no mesmo sítio, como explicamos em gerir marcações sem WhatsApp.
Perguntas frequentes
Um torniquete tripoide serve para 500 sócios?
Serve. O limite prático não é o número de sócios, é a velocidade da validação à hora de ponta: o que faz fila é o leitor lento, não o ferro. Não há número público de passagens por minuto que te sirva de garantia, por isso pede uma demonstração com o teu software a correr e cronometra-a tu.
Posso usar o mesmo torniquete para funcionários e sócios?
Podes, e convém teres presente que a base legal difere. Aos trabalhadores aplica-se o artigo 28.º da Lei 58/2019. Aos sócios aplicam-se o consentimento e a via alternativa que a CNPD te exige. Um equipamento, dois regimes e dois textos de informação que tens de escrever em separado.
Quanto tempo demora a instalação?
Não existe número público de referência e não to invento. Na prática depende da alimentação elétrica que tiveres e do pavimento, por isso pede sempre prazo escrito na proposta, com data de arranque e data de entrega, e liga-o ao pagamento.
Vale a pena começar só com leitor de QR?
Quase sempre. Sai-te por menos de 250 EUR de equipamento, validas a operação durante uma época e só compras ferro quando a fila to justificar. Põe o software na mesma folha do equipamento e soma-os antes de decidires.
O torniquete corta o acesso a quem está em atraso?
Só se o equipamento consultar o teu software na entrada. Se trabalhar com lista própria ou com importação semanal, alguém tem de a atualizar, e é aí que o atraso te passa despercebido. Exige-lhes resposta por escrito antes de assinares.
Tens uma porta, uma folha de sócios e ninguém com tempo para andar a cruzá-las todos os dias. É isto que a Stryde te tira das mãos. Marca uma demo e põe-na a correr no teu espaço. Marcar demo
Fontes
- CNPD, área temática Biometria: regras para trabalhadores e a exigência de consentimento e de via alternativa para quem não é trabalhador.
- CNPD, Regulamento n.º 1/2018: lista dos tratamentos sujeitos a avaliação de impacto, incluindo biometria de pessoas vulneráveis.
- Lei n.º 58/2019, de 8 de agosto: artigo 28.º, n.º 6, sobre biometria de trabalhadores, e a moldura das coimas.
- Orbita Digital, catálogo de torniquetes: preços públicos de tripoides, barreiras e corpo inteiro usados na tabela.
- Manutan Portugal, torniquete e portinhola: preço do torniquete mecânico sem eletrónica, sem IVA.
- IDONIC, torniquetes tripoides: exemplo de catálogo português sem preços publicados.
- Legiscope, coimas do RGPD em Portugal: valores das contraordenações graves e muito graves para PME.
- O Servidor, cartões RFID Mifare, pacote de 100: preço público do consumível de cartão usado na comparação.