Se o dinheiro te faz falta no arranque, o renting tira-te o investimento inicial e mete a manutenção dentro da renda. O leasing sai-te mais barato no total e o equipamento acaba teu por um valor residual que vai de 1 EUR até 6% do bem. Comprar a pronto só compensa se te sobrar caixa depois de abrires.
Neste artigo
- Comprar, leasing ou renting: o que muda mesmo?
- Quanto é que cada via te tira da conta no primeiro mês?
- Como é que o contabilista trata cada uma delas?
- Quem paga a avaria quando a passadeira parar?
- O que te fica na mão no fim do contrato?
- E o usado e o ex-demo, compensa?
- Então, qual é a regra?
- Perguntas frequentes
- Fontes
Comprar, leasing ou renting: o que muda mesmo?
Há três formas de meteres máquinas no teu espaço e nenhuma se impõe às outras à partida. O que muda é quando pagas, quem responde pela avaria e o que te sobra na mão ao fim de cinco anos.
Comprar explica-se em duas linhas: pagas o equipamento, ele entra no ativo e deprecia-se ao longo dos anos. Ninguém te tira as máquinas e ninguém te cobra rendas, mas o dinheiro sai-te todo agora, na altura em que ainda estás a pagar obra e caução.
Leasing, ou locação financeira, está regulado pelo Decreto-Lei n.º 149/95. Tu escolhes as máquinas, o banco compra-as e cede-tas por um prazo, e no fim tens o direito de as comprares por um preço combinado logo à cabeça. Até pagares esse valor, o bem é do banco, embora quem o usa e quem o conserva sejas tu.
Renting é aluguer operacional. Pagas uma renda mensal que costuma trazer lá dentro a instalação, a manutenção e a assistência técnica, como o mercado português o pratica desde os anos 2000, e no fim devolve-lo ou renovas. Nunca chega a ser teu, e é precisamente isso que te compra o sossego.
| Via | Sai da conta no arranque | De quem é o bem | Avarias e manutenção | No fim do contrato | Veredicto |
|---|---|---|---|---|---|
| Compra | Valor total mais IVA | Teu desde o primeiro dia | Pagas tu, sempre | Ficas com tudo | Só com caixa a sobrar |
| Leasing | De zero a uma entrada tua | Do banco até ao residual | Pagas tu, com seguro obrigatório | Compras por 1 EUR a 6% | Custo total menor, bem teu |
| Renting | Tipicamente zero | Do locador, sempre | Vão na renda | Devolves ou renovas | Renda mais alta, chatice zero |
Nota para o teu contabilista: o leasing de equipamento cobre bens novos e usados. A CaixaLeasing Mobiliário da CGD financia até 100% do valor, em prazos de 12 a 60 meses, com valor residual entre 1 EUR mais IVA e 6% do bem.
Quanto é que cada via te tira da conta no primeiro mês?
A hipótese abaixo montámo-la nós, não é um caso real. Serve para veres a forma da coisa, não para a copiares para o teu plano. Parte-se de 30.000 EUR de equipamento, que cai dentro do intervalo de 25.000 a 60.000 EUR que a Velocisport aponta para um ginásio pequeno de 80 a 150 m2, onde o equipamento pesa 40% a 60% do investimento todo. Se o teu espaço for mais pequeno, um estúdio de treino personalizado equipa-se por 8.000 a 20.000 EUR, e a lógica da conta mantém-se.
Nenhum banco publica a taxa do leasing de equipamento, por isso fixámos 8% ao ano só para a conta fechar. Pede-a por escrito, com TAEG, antes de assinares seja o que for.
| Via | Sai no mês zero | Por mês, 60 meses | Total pago em 5 anos | Fica contigo? |
|---|---|---|---|---|
| Compra a pronto | 36.900 EUR (30.000 + IVA) | 0 EUR | 30.000 EUR mais manutenção | Sim |
| Leasing a 60 meses | 0 EUR a 3.000 EUR de entrada | cerca de 608 EUR mais IVA | cerca de 36.500 EUR mais residual e manutenção | Sim, pagando o residual |
| Renting | 0 EUR | Renda sob simulação | Renda vezes 60 | Não |
Repara na primeira linha, porque é ali que muita gente se engana. Comprar a pronto obriga-te a adiantar 6.900 EUR de IVA que só te voltam às mãos na declaração periódica seguinte, e isso são semanas de tesouraria parada. No leasing e no renting, o IVA vai acompanhando as rendas, mês a mês. Se ainda estás a fechar contas de arranque, o orçamento completo para abrir e a lista de preços de equipamento dão-te o resto dos números.
Sobre o renting, convém prevenir-te: ninguém publica preços. Os operadores portugueses pedem-te uma simulação e respondem por email, e os prazos andam entre os 12 e os 60 meses no mercado geral e entre os 12 e os 72 meses quando falamos de equipamento de ginásio. Pedem-se três simulações, comparam-se lado a lado e só depois se decide.
Como é que o contabilista trata cada uma delas?
Na compra, o equipamento entra como ativo fixo tangível e vai-se depreciando, ou seja, o gasto reparte-se por vários anos em vez de te cair todo em cima num só. O Decreto Regulamentar n.º 25/2009 fixa as taxas, e convém teres presente que não existe uma linha só para máquinas de ginásio nas tabelas: quando o bem não está lá, o diploma manda apurar uma taxa razoável em função da vida útil esperada. Quem to enquadra é o teu contabilista, não o vendedor.
No leasing, o artigo 13.º desse mesmo diploma é claro: as depreciações dos bens em locação financeira são gastos do locatário. Ou seja, depreciá-lo é contigo, como se o bem já fosse teu, e da renda só a parte dos juros te entra como gasto financeiro. A parte de capital não é custo, é amortização de dívida. Muito dono acha que a renda inteira lhe abate ao lucro, e é no fecho de contas que alguém lho vem explicar. O IVA das rendas é dedutível, como o próprio banco confirma.
No renting, a renda é gasto do período, lançada em rendas e alugueres, e deduz-se em IRC sem entrar no ativo. É o tratamento mais simples dos três e o que menos trabalho te dá no fecho de contas.
Falta o aviso que quase ninguém te dá: se estiveres em regime simplificado, nada disto te muda o imposto. Aí a matéria coletável sai de um coeficiente aplicado ao que faturas, e os gastos não contam. Antes de escolheres via nenhuma, confirma em que regime é que estás enquadrado e pergunta-o a quem te faz a contabilidade. Sobre o IVA que cobras nas mensalidades, explicámo-lo todo noutro artigo.
Quem paga a avaria quando a passadeira parar?
Esta é a pergunta que separa o renting de tudo o resto, e é a que mais gente esquece na folha de Excel.
- Compra: pagas tu. Peça, mão de obra, deslocação, tudo te cai em cima. Guarda uma verba mensal para isso desde o primeiro mês e mete-a no plano de caixa do ano, porque as avarias não te pedem licença.
- Leasing: pagas tu na mesma. O artigo 10.º do DL 149/95 obriga o locatário a conservar o bem, a fazer as reparações necessárias e a segurá-lo contra perda ou deterioração. Pagas renda ao banco e o técnico continuas a pagá-lo tu.
- Renting: paga o locador, dentro do que o contrato disser. E é aqui que tens de ler com atenção, porque "manutenção incluída" tanto pode ser uma revisão anual como uma assistência em 48 horas com peças.
Se fores por renting, escreve estas quatro perguntas e faz-lhas ao comercial antes de assinares: quantas intervenções preventivas por ano, qual o prazo de resposta a uma avaria, se as peças de desgaste entram e se te dão máquina de substituição quando a tua for para a oficina. Se não ta puserem no contrato, não existe.
O que te fica na mão no fim do contrato?
No leasing, fica-te o equipamento. Pagas-lhe o valor residual combinado e acabou, e como vimos esse valor pode ser tão baixo quanto 1 EUR mais IVA. Ao fim de 60 meses tens máquinas com cinco anos de uso, já pagas, que ainda te aguentam mais uns anos ou que vendes para te pagares parte da renovação.
No renting, não fica nada. O bem continua a ser do locador e o caminho normal é assinares um contrato novo com máquinas novas. Comprar o que usaste é possível pelo valor de mercado, mas os próprios operadores desaconselham-no, porque equipamento em fim de vida dá manutenção a mais.
Traduzido para linguagem de balcão: no leasing estás a construir património e a assumir o risco de obsolescência. No renting estás a comprar utilização e a passar esse risco para outro. Se o teu conceito depende de ter máquinas recentes à vista, o renting faz-te sentido. Se as tuas máquinas são pesos livres e racks, que duram uma década sem se queixarem, comprar ou fazer leasing sai-te muito melhor.
E o usado e o ex-demo, compensa?
É assim que muita gente equipa o primeiro espaço, e não há vergonha nenhuma nisso. O mercado europeu de segunda mão move marcas profissionais a sério, Technogym, Life Fitness, Precor, Matrix, Star Trac e Cybex incluídas. O que não existe é um índice público de preços de usado em Portugal, por isso desconfia de quem te atirar uma percentagem de desconto como se fosse lei.
Antes de fechares negócio em usado, confirma isto:
- Horas de uso reais. Nas consolas de cardio isso lê-se em dois toques. Pede-lhe fotografia do ecrã e guarda-a.
- Peças disponíveis. Máquina descontinuada sem peças é sucata bonita. Pergunta ao representante da marca em Portugal antes de a ires buscar.
- Fatura com IVA. Se comprares a um particular não tens IVA para deduzir nem garantia para reclamar. A um revendedor com número de contribuinte, dão-te as duas.
- Quem instala e quem transporta. Uma prensa de pernas não sobe umas escadas sozinha, e esse custo aparece-te sempre no fim.
- Garantia por escrito. Seis meses num revendedor sério é normal. Se não to puserem no papel, conta com zero.
E há aqui um cruzamento que poucos aproveitam: como a CGD financia bens de equipamento novos ou usados, podes montar leasing sobre um lote de ex-demo e ficar com o melhor dos dois mundos, preço de usado e tesouraria de leasing. Vale a pena perguntares-lhes.
Então, qual é a regra?
Não há uma resposta única, mas há três regras que te tiram noventa por cento da dúvida:
- Tens caixa que chegue para pagar tudo e ainda te sobra para três meses de despesa corrente? Compra. Fica-te mais barato e não deves nada a ninguém.
- Não tens essa folga, mas queres ficar com as máquinas? Leasing. Metes zero de entrada, o IVA vai diluído nas rendas e no fim compra-lo por um valor simbólico.
- Não queres saber de máquinas para nada, queres abrir a porta e treinar gente? Renting. Pagas mais ao longo do contrato, mas nunca mais te preocupas com um rolamento.
Seja qual for a via, mete-a no teu plano antes de assinares e vê se sobrevive a um Agosto fraco. A previsão financeira da Stryde faz-te essa conta com as mensalidades que tens ativas, e não com o número otimista que puseste no plano em Janeiro.
Perguntas frequentes
O leasing de equipamento serve para máquinas usadas?
Serve. A CaixaLeasing Mobiliário da CGD financia bens de equipamento novos ou usados, até 100% do valor, em prazos de 12 a 60 meses. Confirma-o com o teu banco, porque nem todos aceitam qualquer fornecedor e alguns exigem-te avaliação prévia do lote.
Preciso de entrada inicial para fazer leasing de equipamento?
Não obrigatoriamente. O BPI diz que a entrada é flexível e que, no limite, o equipamento pode ser financiado a 100%. Uma entrada maior baixa-te a renda e costuma melhorar a taxa, por isso pede-lhe as duas simulações antes de decidires.
As rendas do renting deduzem-se em IRC?
Sim, se estiveres em contabilidade organizada. A renda entra como gasto do período em rendas e alugueres e abate ao lucro tributável. Em regime simplificado não te muda nada, porque o imposto sai de um coeficiente sobre o que faturas.
Que prazo devo pedir?
Ajusta-o à vida útil do equipamento, que é o que os bancos recomendam. Cardio intenso dura menos do que pesos livres. Prazo curto de mais aperta-te a tesouraria. Prazo longo de mais deixa-te a pagar máquinas que já nem usas.
Posso trocar de equipamento a meio de um contrato de renting?
Depende do contrato, e é uma das poucas coisas que se negoceia bem à partida. Pede-lhe uma cláusula de substituição ou de reforço de lote antes de assinares, porque depois de assinado o locador não tem obrigação nenhuma de te aceitar a troca.
Andar a somar rendas num caderno e só perceber em Janeiro que a prestação não cabia é o que te tira o sono. A Stryde mostra-te o dinheiro que entra todos os meses, com as falhas de pagamento à vista, antes de assinares seja o que for. Marcar demo
Fontes
- Decreto-Lei n.º 149/95, regime jurídico da locação financeira (PGDL) sustenta a definição de leasing, o direito de compra no fim e as obrigações de conservação, reparação e seguro do locatário.
- Decreto Regulamentar n.º 25/2009, Portal das Finanças sustenta o regime das depreciações e o artigo 13.º, que atribui ao locatário a depreciação dos bens em locação financeira.
- CaixaLeasing Mobiliário, CGD sustenta o financiamento até 100%, os prazos de 12 a 60 meses, o valor residual entre 1 EUR mais IVA e 6% e ainda o financiamento de bens usados.
- Leasing de Equipamento, Banco BPI sustenta a entrada inicial flexível, o ajuste do prazo à vida útil e a dedutibilidade do IVA das rendas.
- Renting, descrição e fiscalidade, ALF sustenta os prazos correntes de renting entre 12 e 60 meses e a estrutura de rendas fixas.
- Renting de equipamentos de ginásio, Liqui.do sustenta os prazos de 12 a 72 meses, a ausência de custos iniciais e a propriedade do bem ficar no locador no fim do contrato.
- Renting de equipamentos, Jornal Económico sustenta a inclusão de instalação, manutenção e assistência na renda e o lançamento em rendas e alugueres dedutível em IRC.
- Como montar um ginásio em Portugal, Velocisport sustenta os 25.000 a 60.000 EUR de equipamento num ginásio de 80 a 150 m2 e o peso de 40% a 60% no investimento.
- Quanto custa montar ginásio em Portugal, FFitness sustenta as ordens de grandeza de investimento por tipo de espaço e o intervalo de 8.000 a 20.000 EUR para um estúdio de treino personalizado.
- WeBuyGymEquipment sustenta as marcas profissionais transacionadas no mercado europeu de equipamento usado.