Não há um "melhor" para toda a gente. Numa escola de dança em Portugal, o software certo tem de perceber quatro coisas que os comparativos internacionais nem tocam: turmas por nível e idade (não aulas soltas), quem paga é o encarregado de educação e não o aluno, a época letiva começa em setembro, e a faturação certificada pela AT é obrigatória. As ferramentas de fora (Jackrabbit, DanceStudio-Pro, ClassManager) fazem a parte da dança lindamente, mas nenhuma passa faturas legais cá. É esse o filtro que decide.
Neste artigo
- Porque é que o software de um ginásio não serve a uma escola de dança?
- Que critérios separam mesmo o software de uma escola de dança?
- A faturação certificada é mesmo obrigatória para a minha escola?
- As opções para uma escola de dança em Portugal, uma a uma
- Então qual é que escolho para a minha escola?
- Perguntas frequentes
- Fontes
Vais escrever "software de gestão para escola de dança" e a página fica quase vazia. O que aparece é ou brasileiro, com preços noutra moeda, ou uma mão-cheia de apps americanas que percebem de recitais mas não sabem o que é o ATCUD. Ninguém escreveu a versão portuguesa desta escolha. É isso que fazemos aqui.
Uma coisa à cabeça: o Stryde é nosso e já está disponível. Os critérios e os factos aqui em baixo confirmas tu, e dizemos-te onde a concorrência é mais forte do que nós.
Há um padrão que atravessa este mercado e é ele que decide o custo real: quase nenhuma destas ferramentas é tudo-num-só. A gestão da escola, a app dos alunos e a faturação certificada vivem em softwares separados, com uma segunda mensalidade e trabalho a dobrar. O Stryde é a exceção: gestão, app e faturação certificada no mesmo sítio.
Porque é que o software de um ginásio não serve a uma escola de dança?
Um ginásio vende acesso e aulas soltas: o sócio marca a aula das 19h quando lhe apetece. Uma escola de dança não funciona assim, e é por isso que a maior parte do software de fitness te fica curto.
Na tua escola, a Matilde de 6 anos está no ballet iniciação à terça, o irmão de 10 está no hip-hop à quinta, e quem paga os dois é a mãe. Uma turma tem nível, tem idade, tem um horário fixo para o ano inteiro. O aluno não anda a saltar entre horários: entra numa turma em setembro e fica lá até ao recital de junho. Quem decide, paga e fala contigo não é o aluno, é o encarregado de educação.
Um software feito para ginásios trata cada aluno como um sócio isolado e cada aula como uma marcação avulsa. Perde a turma, perde a família e perde a época letiva, que são exatamente as três coisas de que a tua escola vive. Se o teu caso é mais de ginásio do que de escola de dança, o comparativo de software de gestão de ginásio em Portugal trata desse lado. Aqui ficamos na dança. Antes de olhares para qualquer ferramenta, olha para estes seis critérios.
Que critérios separam mesmo o software de uma escola de dança?
Uma lista qualquer compara marcações, pagamentos e uma app. Chega para um ginásio. A tua escola precisa de seis coisas, e é aqui que as opções se separam:
- Turmas por nível e idade, não aulas soltas. Ballet iniciação, ballet grau 2, contemporâneo juvenil. Cada turma com o seu nível, escalão etário e horário fixo para o ano. O aluno inscreve-se na turma, não marca uma aula de cada vez.
- Conta de família, com o encarregado de educação a pagar. Um encarregado, vários filhos, uma mensalidade só. Descontos de irmãos calculados sozinhos. Toda a comunicação vai para os pais, não para uma criança de 7 anos.
- Mensalidades por aluno mais taxa de inscrição. A dança cobra-se por mês, dez meses de setembro a junho, com uma taxa de inscrição à cabeça e, muitas vezes, o custo do fato do espetáculo pelo meio. Não é uma quota de ginásio.
- Época letiva a começar em setembro. As inscrições abrem no verão, enchem em setembro, e o ano fecha no recital. O software tem de pensar por épocas, com renovação de um ano para o outro, não em meses soltos.
- Recitais e espetáculos. O espetáculo de final de ano é o momento maior da escola: quem dança o quê, fatos, ensaios, música, bilhetes. Uma escola grande gere isto numa folha de cálculo que ninguém aguenta.
- Faturação certificada pela AT. Acima de um certo volume, não é opcional. Já lá vamos. É o critério que corta logo metade das opções internacionais.
Um comparativo que não pesa estes seis pontos foi escrito para um ginásio ou para outro país. Daqui para a frente, passamos cada opção por eles. Começa pelo ponto que apanha as escolas de surpresa: as faturas.
[Imagem: type B, tabela-diagrama dos seis critérios]
A faturação certificada é mesmo obrigatória para a minha escola?
Na maioria dos casos, é. E é aqui que muita escola descobre que a app bonita de fora não chega. Desde o Decreto-Lei n.º 28/2019, tens de usar um programa de faturação certificado pela Autoridade Tributária num de três casos: se no ano anterior a escola faturou mais de 50 000 €, se és obrigada a ter contabilidade organizada, ou se já usas um programa para faturar (Decreto-Lei n.º 28/2019).
Faz a conta. Uma escola com 120 alunos a pagar 40 € por mês, dez meses, já passa os 50 000 € num ano letivo. Ou seja: quase todas as escolas com algum tamanho caem na obrigação. E não é uma multa pequena: usar software não certificado quando devias custa uma coima de 1 500 € a 18 750 € (Sage, sobre o DL 28/2019).
Um programa certificado passa faturas e recibos com ATCUD e código QR, gera o ficheiro SAF-T para o contabilista e comunica os documentos à AT. Se um software está mesmo certificado, confirmas na lista oficial da AT. Para perceberes ponto por ponto o que a certificação exige, temos um guia sobre software com faturação certificada para o teu negócio. E aqui está a parte que ninguém te diz lá fora: as ferramentas internacionais de dança não estão nessa lista, nem podem estar sem localização fiscal portuguesa. É este o filtro. Faz a parte da dança bem, mas não passa faturas legais cá, e não te serve sozinho.
As opções para uma escola de dança em Portugal, uma a uma
Estas são as ferramentas que uma escola de dança em Portugal põe mesmo em cima da mesa. Divide-as em dois grupos: as internacionais, que percebem de dança mas não de fisco cá, e as portuguesas, que percebem de fisco mas nasceram para o ginásio. Onde cada uma é boa, dizemos-te sem rodeios.
| Software | Origem | Forte em | Turmas, família e recitais | Faturação certificada AT | Veredicto em 5 palavras |
|---|---|---|---|---|---|
| Jackrabbit Dance | EUA | Gestão de escola de dança | Sim, feito de raiz | Não (sem localização fiscal PT) | Ótimo para dança, sem fisco PT |
| DanceStudio‑Pro | EUA | Recitais e mensalidades | Sim, com "Recital Wizard" | Não (sem localização fiscal PT) | Forte nos recitais, fisco fora |
| ClassManager | Reino Unido | Contas de família e cobranças | Sim, contas por família | Não (feito para o fisco britânico) | Boas famílias, fisco não é cá |
| InnuxFit | Portugal | Fiscal e gestão de ginásio | Genérico, feito para ginásio | Sim (certificado pela AT) | Fisco sólido, dança genérica |
| OnVirtualGym | Portugal | Gestão de ginásio e treino | Genérico, feito para ginásio | Sim (fiscal PT) | Forte em ginásio, dança fraca |
| Stryde | Portugal | Fisco PT mais app própria | Sim, pensado para o modelo | Sim, nativa | Dança e fisco num sítio |
Fontes: lista de programas certificados da AT; páginas oficiais de cada produto. O Stryde já está disponível.
Jackrabbit Dance: o padrão internacional para escolas de dança
A Jackrabbit Dance é americana e é das ferramentas mais usadas em escolas de dança no mundo, com milhares de escolas a usá-la. Foi feita de raiz para o modelo: as contas são por família e não por aluno, dá para organizar turmas por nível e idade (do Ballet I ao Ballet II, com pré-requisitos de idade), gerir a inscrição da época online e tem ferramentas de recital, incluindo o controlo dos fatos por tamanho (Jackrabbit Dance, gestão de turmas). Tem também app para os pais (Jackrabbit Plus). Na parte da dança, é do melhor que há.
O problema é cá, e é grande: a Jackrabbit não está feita para a fiscalidade portuguesa. Não passa faturação certificada pela AT, não gera SAF-T PT nem ATCUD, e não aparece na lista de software certificado. Está em dólares e pensada para os EUA. As faturas legais da tua escola ficariam sempre para tratares noutra ferramenta certificada, à parte.
Resumindo: se a parte da dança é tudo e as faturas tratas noutro lado, a Jackrabbit é forte. Se queres tudo num sítio e em dia com o fisco cá, não dá.
DanceStudio-Pro: forte nos recitais, o mesmo problema fiscal
A DanceStudio-Pro é outra americana feita para dança, e brilha onde as escolas mais sofrem: o recital. O "Recital Wizard" trata dos números do espetáculo, da música, das posições em palco e dos avisos de troca de fato. Junta portal de família, descontos por vários filhos e cobranças automáticas, com planos a partir de cerca de 45 USD/mês (DanceStudio-Pro, preços; DanceStudio-Pro, cobranças). Para quem faz do espetáculo o centro do ano, é tentadora.
O senão é o mesmo da Jackrabbit: não passa faturas certificadas cá. Foi feita para a fiscalidade dos EUA. Por muito boa que seja a gestão dos recitais, as faturas legais ficam sempre fora dela, noutra ferramenta portuguesa.
Resumindo: dos recitais para dentro, é das melhores. Das faturas certificadas para fora, deixa-te a descoberto em Portugal.
ClassManager: boas contas de família, mas fisco britânico
A ClassManager é britânica e resolve bem a dor que os pais te trazem: as contas de família. Um encarregado gere os vários filhos numa conta só, paga tudo de uma vez, e os descontos de irmãos calculam-se sozinhos (ClassManager, software para dança). A cobrança das mensalidades da época é automática, com lembretes incluídos (ClassManager, cobranças automáticas). Cobra através da Stripe e não tem mensalidade fixa, só uma comissão sobre o que recebes.
O problema é o de sempre com as ferramentas de fora: está feita para o fisco britânico, não para o português. Não emite faturação certificada pela AT, não gera ATCUD nem SAF-T PT, e não está na lista de software certificado. As faturas legais da tua escola teriam de sair de outro sítio.
Resumindo: para gerir famílias e cobrar mensalidades, é competente. Para as faturas certificadas cá, não te serve sozinha.
InnuxFit: fiscal sólido, mas feita para ginásio
A InnuxFit é portuguesa e certificada pela AT (InnuxFit, escolas de formação desportiva). No fiscal e na gestão, faz o trabalho: faturação certificada, SAF-T, débitos diretos, gestão de mensalidades, marcações com lista de espera. Para quem põe estar em dia com o fisco à frente de tudo, é uma opção séria.
A ressalva: a InnuxFit nasceu para ginásios, piscinas e clubes, e trata a escola como um clube desportivo qualquer, com "membros", "atletas" e "competições". O que é mesmo de dança (turmas por nível, a época letiva, o encarregado de educação como pagador, o recital) não é o vocabulário nem o forte dela. Dá para usar. Mas não fala a língua da escola de dança.
Resumindo: se estar em dia com o fisco é o que te tira o sono e vives bem com uma gestão genérica, a InnuxFit chega. Para o modelo da dança, fica-te curta.
OnVirtualGym: forte em ginásio, fraca em dança
A OnVirtualGym é portuguesa e uma das referências de software de ginásio cá, no mercado desde 2015 (OnVirtualGym, software para ginásios). Faz bem a gestão de um ginásio: avaliações físicas, planos de treino, aulas de grupo, marcações. Tem a fiscalidade portuguesa tratada.
Mas é isso mesmo: é software de ginásio. A lógica é a do sócio que treina, dos planos de treino e das avaliações físicas, não a das turmas por nível, das contas de família ou dos recitais. Uma escola de dança que a adote está a moldar a sua realidade a uma ferramenta que foi pensada para outra coisa.
Resumindo: para um ginásio, é forte. Para uma escola de dança, estás a pedir-lhe o que ela não foi feita para dar.
Stryde: o modelo da dança e o fisco PT no mesmo sítio
O que põe o Stryde à parte são três coisas, e podes confirmá-las. Percebe o modelo da escola de dança: turmas por nível e idade, contas de família com o encarregado de educação a pagar, comunicação para os pais. Faturação certificada portuguesa por dentro (ATCUD, QR, SAF-T, comunicação à AT no mesmo sítio onde cobras). E uma app com a marca da tua escola, não com a nossa. É o tudo-num-só: não escolhes entre a ferramenta que percebe de dança e a que passa faturas legais, nem pagas dois softwares para ficares com os dois. E a migração da tua ferramenta de agora é feita pela nossa equipa, com ensaio a seco, para nada partir a meio do ano.
Onde somos honestos: a Jackrabbit e a DanceStudio-Pro têm anos de estrada em ferramentas de recital que uma escola de fora usa há muito. Se o espetáculo de final de ano é o centro absoluto da tua operação e o fisco cá tratas por outra via, hoje isso ainda joga a favor delas.
Resumindo: se queres o modelo da dança e as faturas certificadas no mesmo software, sem uma segunda mensalidade, é o Stryde.
Então qual é que escolho para a minha escola?
Depende de qual das dores te pesa mais na semana. Um atalho, sem tretas:
- O recital é o centro de tudo e o fisco tratas por outra via. A Jackrabbit ou a DanceStudio-Pro dão-te a melhor gestão de espetáculo. Conta com a faturação certificada a ficar sempre fora do software, noutra ferramenta portuguesa.
- As contas de família e as cobranças são a tua maior dor. A ClassManager resolve isso bem, com a mesma ressalva fiscal: as faturas legais cá saem de outro lado.
- Estar em dia com o fisco está acima de tudo e vives com uma gestão genérica. A InnuxFit ou a OnVirtualGym dão-te o fiscal certificado, com um lado de dança feito à medida de um ginásio.
- Queres o modelo da dança e o fiscal certificado no mesmo sítio, sem dois softwares. É o tudo-num-só do Stryde. Para as ferramentas de recital mais rodadas, as americanas ainda vão à frente.
Faças a escolha que fizeres, faz isto a seguir. Na demonstração, pede para verem contigo uma fatura certificada, com ATCUD e QR, a sair do próprio software. Se te disserem "isso é com outra ferramenta", já sabes onde está o custo escondido: uma segunda mensalidade e o trabalho a dobrar.
Perguntas frequentes
Posso usar a Jackrabbit ou a DanceStudio-Pro numa escola de dança em Portugal?
Para gerir turmas, famílias e recitais, podes, e fazem-no bem. Mas nenhuma passa faturação certificada pela AT, nem aparece na lista de software certificado. Estão em dólares e feitas para os EUA. Terias de tratar de todas as faturas legais numa ferramenta portuguesa certificada, à parte.
A faturação certificada é obrigatória para a minha escola de dança?
Na maioria dos casos, é. Aplica-se num de três casos: se no ano anterior faturaste mais de 50 000 €, se tens contabilidade organizada, ou se já usas um programa para faturar (Decreto-Lei n.º 28/2019). Uma escola com mais de 100 alunos passa este limite à vontade. Usar software não certificado custa uma coima de 1 500 € a 18 750 €.
O software tem de perceber contas de família?
Numa escola de dança, sim, e faz toda a diferença. Quem paga é o encarregado de educação, muitas vezes com dois ou três filhos em turmas diferentes. Uma conta de família junta tudo numa mensalidade, calcula o desconto de irmãos sozinho e manda a comunicação para os pais, não para a criança.
Qual é a diferença entre software de ginásio e software de escola de dança?
O software de ginásio pensa em sócios e aulas soltas: cada um marca a aula quando quer. Uma escola de dança pensa em turmas por nível e idade, numa época letiva de setembro a junho, com o encarregado de educação a pagar e um recital no fim. Uma ferramenta de ginásio perde estas três coisas.
Quanto é que custa cada software?
Os portugueses não põem preços na página, por isso pede orçamento a cada um. A DanceStudio-Pro indica planos a partir de cerca de 45 USD/mês. E soma sempre a segunda mensalidade: nas ferramentas internacionais, a faturação certificada cá é um software à parte, por isso o total real são duas subscrições, não uma. Num tudo-num-só, é uma só.
O Stryde tira-te das mãos o trabalho de gerir a escola num sítio e faturar noutro: turmas, contas de família, app com a tua marca e faturação certificada no mesmo software, sem uma segunda mensalidade. Marca uma demo e vê o Stryde a funcionar no teu espaço.
Fontes
- Lista de programas de faturação certificados pela AT (Portal das Finanças)
- Decreto-Lei n.º 28/2019, obrigação de software de faturação certificado (Portal das Finanças). A coima de 1 500 € a 18 750 € por falta de programa certificado consta do artigo 128.º, n.º 2 do RGIT.
- Sage, obrigações do Decreto-Lei n.º 28/2019 e coima aplicável
- Jackrabbit Dance, gestão de turmas por nível e idade
- Jackrabbit Dance Plus, app para pais
- DanceStudio-Pro, preços
- DanceStudio-Pro, cobranças e mensalidades
- ClassManager, software para escolas de dança e contas de família
- ClassManager, cobranças automáticas
- InnuxFit, software para escolas de formação desportiva
- OnVirtualGym, software para ginásios