O Wellhub paga-te por cada check-in validado, ao valor que negoceias com eles, e transfere mensalmente para a tua conta, no dia 15 ou no dia útil seguinte. Vale a pena para encher horas mortas, com limite de lugares por aula, e não vale como pilar de receita. As três coisas que tens de acertar: validar todos os check-ins, não emitir fatura ao visitante, e reconciliar todos os meses o que serviste com o que te pagaram.
Neste artigo
- O que é o Wellhub, visto de dentro do ginásio
- Como funciona o check-in, e porque é a peça mais importante
- O que o Wellhub te paga, e o que não te paga
- O impacto na margem: o que tens mesmo de calcular
- O que isto faz à relação com os teus sócios
- A parte fiscal, que quase toda a gente erra
- Reconciliação: o mês fechou ou não fechou?
- O Stryde liga-se ao Wellhub
- Para quem vale a pena, e para quem não vale
- Perguntas frequentes
- Fontes
O que é o Wellhub, visto de dentro do ginásio
O Wellhub, que até 2024 se chamava Gympass, não vende ginásios a pessoas. Vende um benefício a empresas. A empresa paga uma subscrição por colaborador, o colaborador escolhe um plano dentro da app do Wellhub, e com esse plano entra em espaços parceiros. Tu és um desses espaços parceiros.
Isto muda tudo na forma como deves pensar no assunto. O teu cliente, aqui, não é a pessoa que aparece à porta com o telemóvel na mão. É o Wellhub. É com o Wellhub que tens contrato, é o Wellhub que te paga, e é o Wellhub que decide quanto vale cada visita, dentro daquilo que negociaram. A pessoa é a utilizadora do serviço, não a compradora.
Do lado do dono, a mecânica é simples de descrever e chata de executar à mão:
- Aderes à rede. A adesão em si não tem custo de entrada. O que negoceias é o valor por visita e que planos aceitas.
- Escolhes que planos do Wellhub aceitas. Os planos deles são escalonados, e um espaço com aulas de maior valor normalmente só aceita os planos mais altos.
- O teu espaço passa a aparecer na app deles, com morada, modalidades e, se ligares o horário, aulas marcáveis.
- A pessoa aparece, faz check-in, e tu validas esse check-in. É esta validação que gera o direito a receber.
- No mês seguinte, o Wellhub soma os check-ins validados e paga. O pagamento é mensal, referente ao mês anterior, e chega à conta registada no dia 15 ou no dia útil seguinte.
Repara na palavra validados. Não é "quem apareceu". É "quem apareceu e ficou registado do lado deles como tendo entrado". Toda a economia disto assenta nessa linha, e é exatamente aí que a maior parte dos ginásios perde dinheiro sem dar por isso. Voltamos a este ponto já a seguir.
Como funciona o check-in, e porque é a peça mais importante
O Wellhub descreve o processo de check-in como a forma de os parceiros validarem visitas legítimas de subscritores, e diz, com todas as letras, que isso é essencial para o pagamento correto dos check-ins realizados aos parceiros (Wellhub developers). Traduzindo para a linguagem da tua receção: check-in não validado é aula dada de graça.
Há duas maneiras de isto acontecer no mundo real.
À mão, no portal deles
É como a esmagadora maioria dos espaços em Portugal funciona hoje. A pessoa chega, mostra um código na app do Wellhub, e alguém do teu lado abre o Portal do Parceiro num separador do browser e valida ali. Funciona. Também é a receita clássica para três problemas:
- Esquecimentos. Segunda-feira às 19h, com fila à porta, o coach valida três e esquece-se do quarto. Esse quarto não te é pago.
- Dupla entrada. A visita fica registada no portal deles e não fica registada em lado nenhum teu, ou fica registada duas vezes de formas diferentes. No fim do mês não consegues comparar nada com nada.
- Sala cheia sem tu saberes. Se a pessoa entra numa aula com lugares limitados e essa entrada não passa pelo teu sistema de marcações, a tua lista de presenças mente. Já vimos estúdios de reformer com 12 aparelhos a receberem 14 pessoas por causa disto.
Automaticamente, pelo sistema de gestão
A alternativa é o teu software falar diretamente com o Wellhub. O Wellhub publica documentação para isto: uma Booking API, que põe o teu horário na app deles e mantém as marcações sincronizadas nos dois lados, e uma Access Control API, que trata da validação do check-in (Wellhub developers). Quando isto está ligado, o fluxo passa a ser: a pessoa marca na app do Wellhub, a marcação cai no teu horário e ocupa um lugar real, a pessoa chega, faz check-in, a validação parte automaticamente, e a visita fica registada do teu lado com a origem certa.
A diferença prática entre as duas formas não é conforto. É dinheiro. A primeira depende de alguém se lembrar, cinquenta vezes por semana, de uma tarefa que não dá prazer nenhum. A segunda não depende de ninguém.
O que o Wellhub te paga, e o que não te paga
Vamos ser diretos sobre o que sabemos e o que não sabemos, porque nesta matéria há muito palpite a circular.
O que é público e verificável: o pagamento é por check-in, ao valor que tens acordado, com um número definido de check-ins pagos por mês e por pessoa, podendo existir um desconto proporcional a partir de determinado valor de faturação mensal. Os pagamentos são mensais, feitos para a conta registada, no dia 15 ou no dia útil seguinte, referentes ao mês anterior (Centro de Ajuda Wellhub PT).
O que não é público: o valor por check-in. Não existe uma tabela de preços Wellhub para ginásios portugueses, porque o valor é contratado espaço a espaço. Quem te disser um número redondo na internet está a inventar ou a repetir o caso de outra pessoa. Pede o teu valor por escrito antes de assinar, e pede também a regra do desconto por escalão, porque é essa segunda parte que costuma apanhar as pessoas de surpresa no terceiro mês.
Os dois travões que tens de perceber
Há duas mecânicas na estrutura de pagamento que mudam completamente o cálculo, e que raramente aparecem explicadas:
- Limite de check-ins pagos por pessoa e por mês. Uma pessoa muito assídua não te rende proporcionalmente mais. A partir de certo ponto, ela continua a vir e tu deixas de receber por essas visitas.
- Desconto proporcional acima de um patamar de faturação mensal. Quanto mais recebes da rede, menor tende a ser o valor efetivo por visita. Isto significa que o Wellhub tem rendimentos marginais decrescentes para ti: a centésima visita do mês não vale o mesmo que a décima.
Estas duas regras juntas produzem uma conclusão pouco intuitiva mas importante: o Wellhub é bom como enchimento de horas mortas e mau como pilar de receita. Fizemos as contas completas, com um modelo que podes aplicar aos teus próprios números, no artigo sobre quanto o Wellhub paga a um ginásio.
O impacto na margem: o que tens mesmo de calcular
A pergunta errada é "quanto me pagam por visita?". A pergunta certa é "esta visita ocupa um lugar que eu teria vendido de outra maneira?".
Um lugar numa aula às 11h de terça-feira, numa sala que ia ter 4 pessoas em 16 lugares, tem custo marginal quase zero para ti. O coach já lá está, a luz já está acesa, a sala já está aberta. Qualquer valor acima de zero é margem. Um lugar numa aula às 19h de terça-feira, com lista de espera de 6 pessoas, é outra história completamente: essa visita do Wellhub tirou o lugar a um sócio teu que paga mensalidade cheia, e o valor por check-in quase de certeza não cobre a parte da mensalidade que esse lugar representa.
Por isso a decisão nunca é "entro ou não entro no Wellhub". É "que horas é que abro ao Wellhub, e com que limite de lugares". Se ainda não sabes onde estão os teus buracos de ocupação, começa por aí: o artigo sobre taxa de ocupação do ginásio mostra-te como medir isso em vez de adivinhar.
A regra dos três degraus
Uma forma simples de decidir, que funciona em ginásios, boxes e estúdios:
- Aulas abaixo de 50% de ocupação: abre ao Wellhub sem limite de lugares. Estás a converter cadeiras vazias em dinheiro e em gente nova a conhecer o espaço.
- Aulas entre 50% e 80%: abre com um limite fixo de lugares por aula. Dois ou três, tipicamente. Assim aproveitas o espaço que sobra sem arriscares mandar embora um sócio.
- Aulas acima de 80% ou com lista de espera: fecha. Não há valor por check-in que compense mandar um sócio pagante para casa.
Este limite de lugares por aula não é um pormenor. É a peça que faz um dono sentir-se confortável a ligar isto. Sem ele, a escolha é tudo ou nada, e tudo ou nada leva quase sempre a nada.
Antes de decidires qualquer coisa, tem à mão o valor real de uma hora de sala tua. Se nunca fizeste essa conta, o artigo sobre como definir o preço das mensalidades tem o modelo de custo por lugar que precisas aqui.
O que isto faz à relação com os teus sócios
Esta é a parte que ninguém te conta na reunião comercial, e é a que mais dá dores de cabeça a médio prazo.
O risco de canibalização
Se um sócio teu descobre que a empresa dele comparticipa o Wellhub e que com o Wellhub entra no teu ginásio, ele vai cancelar a mensalidade e voltar pela rede. Do lado dele, é racional. Do teu, é uma mensalidade cheia trocada por um valor por visita com teto mensal. É a pior troca possível.
Não há forma de impedir isto por contrato, e tentar não te leva a lado nenhum. O que funciona é tornar a mensalidade direta melhor do que a entrada pela rede, e isso faz-se com coisas que a rede não consegue dar: marcação garantida com antecedência, acesso às horas de pico, planos de treino próprios, avaliações, a comunidade. Se a única diferença entre ser teu sócio e entrar pela rede for o preço, perdes sempre. Vale a pena ler isto ao lado do artigo sobre como reduzir cancelamentos no ginásio, porque o mecanismo é o mesmo.
Estas pessoas não são teus sócios
É importante dizê-lo de forma clara, e não só por simpatia: em termos operacionais e legais, quem entra pela rede não é teu sócio. Não tem contrato contigo, não tem mensalidade, não deu consentimento para as tuas campanhas, e não deve entrar nas tuas contas de retenção.
Isto tem consequências práticas concretas:
- Não os metas nas listas de email de campanhas. Não é só má prática, é um problema de RGPD, porque a base legal da visita é a execução do contrato com a rede, não o marketing.
- Não os contes como sócios ativos. Se contares, a tua taxa de retenção passa a mentir e todas as decisões que tomares em cima dela ficam erradas.
- Não lhes apliques as tuas regras de penalização por falta. A rede tem as regras dela, com a utilizadora dela.
A oportunidade real: conversão
Dito o risco, aqui está o outro lado. Uma visita pela rede é uma pessoa que entrou no teu espaço, viu a sala, conheceu o coach e treinou. É um lead qualificado que te apareceu à porta e que ainda por cima te pagou a visita. Um ginásio organizado trata a terceira ou quarta visita da mesma pessoa como um sinal, não como rotina, e tem uma conversa com ela sobre o que ganharia em ser sócia. Sem pressão, com um número concreto.
É a mesma lógica com que se trabalha uma aula experimental ou um protocolo de empresa. Aliás, se o teu interesse no Wellhub é sobretudo chegar a trabalhadores de empresas da tua zona, vale a pena comparar com a alternativa de negociares diretamente: os protocolos com empresas deixam-te ficar com a relação e com a mensalidade inteira.
A parte fiscal, que quase toda a gente erra
Aqui é onde vemos mais erros, e são erros que só aparecem quando alguém olha com atenção, tipicamente o contabilista em janeiro ou a AT mais tarde.
Uma visita da rede não gera fatura ao visitante. Tu não vendeste nada àquela pessoa. Ela não te pagou nada. Emitir-lhe uma fatura ou um recibo é documentar uma transação que não existiu, e com faturação certificada isso significa um documento com ATCUD e QR a circular indevidamente. Se o teu software emite fatura automaticamente a cada check-in, esta é a primeira coisa que tens de ir verificar.
A tua venda é à rede, não à pessoa. O que existe é uma prestação de serviços mensal da tua empresa à entidade legal da rede, contra o número de contribuinte dela, pelo total dos check-ins validados desse mês. É uma linha de receita B2B, e deve estar separada da receita de mensalidades na tua contabilidade e nos teus relatórios.
Autofaturação: confirma, não assumas
Na prática, estas redes costumam operar em autofaturação: é a rede que emite o documento em teu nome e por tua conta, e tu recebes o valor com esse documento já feito. Isto é perfeitamente legal em Portugal, mas tem condições que estão no n.º 11 do artigo 36.º do Código do IVA e que se cumprem ou não se cumprem:
- Tem de existir um acordo prévio, por escrito, entre ti e o adquirente.
- Tem de haver prova de que tomaste conhecimento da emissão e aceitaste o conteúdo.
- A fatura tem de conter a menção autofaturação.
Há ainda a comunicação das séries de autofaturação no Portal das Finanças, que é feita do lado do fornecedor, ou seja, do teu lado. Não assumas que está tratado só porque o dinheiro entra. Vai ao teu contrato, confirma que existe cláusula de autofaturação, e confirma com o teu contabilista que a série está comunicada. Se não houver autofaturação, então és tu que tens de emitir a fatura mensal à rede, com software certificado, e essa fatura tem de sair.
Se ainda estás a tratar da parte de faturação certificada em geral, começa pelo guia da faturação certificada para ginásios. E a questão do IVA nas mensalidades de ginásio aplica-se aqui também: a taxa que usas na venda à rede não é uma decisão que se toma por intuição.
Um paralelo útil: a mecânica de tratar visitas avulsas de gente que não é tua sócia é a mesma que discutimos no artigo sobre drop-ins de turistas e como faturá-los. A diferença é a contraparte. No drop-in, o cliente é a pessoa. Aqui, é a rede.
Reconciliação: o mês fechou ou não fechou?
Esta é a rotina que separa os ginásios que ganham dinheiro com a rede dos que acham que ganham.
Todos os meses, quando o pagamento entra, tens de conseguir responder a uma pergunta muito concreta: o número de visitas que servi bate certo com o número de visitas que me pagaram? Se a resposta for "acho que sim", a resposta é não.
Para responder a sério, precisas de três coisas:
- O teu registo. Cada visita da rede, com data, hora, aula e pessoa, guardada do teu lado, com a origem marcada como visita de rede parceira e não confundida com uma marcação normal.
- O extrato deles. O detalhe dos check-ins que a rede considerou válidos nesse mês.
- A diferença. As visitas que tu serviste e que não aparecem no extrato deles. Cada uma dessas é dinheiro que trabalhaste e não recebeste.
Quando essa diferença é sistematicamente zero, ótimo, deixas de olhar. Quando é dois ou três por mês, é validação esquecida na receção e resolve-se com automação. Quando é dez ou quinze, tens um problema de processo que já te está a custar mais do que aquilo que a rede te traz de novo.
Faz esta conta no mesmo sítio onde fazes as outras contas do mês. A receita de rede é sazonal e não se comporta como as mensalidades, por isso convém estar visível no teu mapa de tesouraria: o artigo sobre sazonalidade e plano de caixa do ginásio explica porque é que misturar receitas com ritmos diferentes numa só linha te dá uma previsão errada.
O Stryde liga-se ao Wellhub
O Stryde integra com as redes de parceiros, e o Wellhub em particular. Na prática, isto quer dizer quatro coisas concretas para o teu dia a dia:
- O teu horário do Stryde chega à rede. As aulas que decides expor ficam visíveis e marcáveis do lado deles, com a lotação certa, e sem tu teres de manter dois calendários.
- As marcações da rede caem no Stryde. Aparecem na tua lista de presenças como qualquer outra marcação, ocupam um lugar real, e a lotação atualiza-se nos dois lados. A tua sala deixa de ter duas contas diferentes de quantas pessoas cabem lá dentro.
- Os check-ins validam-se sozinhos. A pessoa da rede entra pelo mesmo processo de porta que os teus sócios usam, a validação parte sem ninguém ter de se lembrar dela, e a visita fica registada com a origem certa. É o fim da dupla entrada no portal.
- As visitas ficam faturadas como deve ser. Cada visita da rede fica marcada como tal, fora dos circuitos de cobrança e de emissão de fatura ao sócio, e visível como linha de receita própria nos teus relatórios, ao lado das mensalidades mas nunca misturada com elas.
Há uma parte que continua a ser da rede, e é bom que continue: o dinheiro nunca passa por nós. É o Wellhub que te paga, diretamente, na tua conta, mensalmente, ao valor que negociaste com eles. O Stryde não fica com percentagem nenhuma disso, tal como não fica com percentagem nenhuma das mensalidades dos teus sócios. Nós cobramos-te uma mensalidade de software e mais nada. O que fazemos é garantir que não perdes visitas por esquecimento e que, no fim do mês, consegues comparar o que serviste com o que te pagaram.
Ao lado disto correm as peças normais do produto que esta integração usa: as marcações e listas de espera, que são onde a lotação vive, e o check-in por QR code, que é a porta por onde toda a gente entra. A parte fiscal encosta à faturação certificada, com a regra que já viste acima: a visita de rede fica de fora da fatura ao sócio, por desenho.
Para quem vale a pena, e para quem não vale
Sem rodeios, e assumindo que já sabes onde estão os teus buracos de horário.
Vale a pena se
- Tens horas com sala meia vazia e capacidade instalada a não render. Meio da manhã, meio da tarde, sexta ao fim do dia, agosto inteiro.
- Estás numa zona com escritórios à volta. O Wellhub é um benefício de empresa, por isso a densidade de utilizadores segue a densidade de empregadores.
- Tens capacidade para limitar lugares por aula. Se o teu sistema não sabe fazer isso, estás a entrar sem travão.
- Consegues converter. Se tens um processo de acolhimento decente, cada visita é uma hipótese. Se não tens, é só uma visita. O artigo sobre o primeiro mês de um sócio novo é o que fecha esta parte.
Não vale a pena se
- Estás cheio às horas boas e vazio a mais nenhuma. Aí a rede só te traz conflito de lugares.
- Tens um preço médio alto e um serviço muito individualizado. Estúdios de reformer pequenos, treino personalizado, salas com equipamento limitado por pessoa. O valor por check-in raramente chega perto do teu valor por lugar.
- Uma fatia grande dos teus sócios trabalha em empresas que já dão Wellhub. Aí o risco de canibalização é maior do que a receita nova.
- Não tens como validar sem alguém se lembrar. Se a validação depender da memória do coach numa aula com 20 pessoas, vais oferecer treinos e nem vais saber quantos.
Vale ainda a pena saber que o Wellhub não é a única rede a operar em Portugal, e que as economias não são iguais. O ClassPass em Portugal paga por reserva a partir de uma percentagem do teu preço direto e está concentrado em Lisboa e no Porto. O Urban Sports Club para estúdios tem limites de visitas por parceiro, o que reduz o risco de canibalização, e paga as faltas e os cancelamentos tardios. Se a tua dúvida é qual escolher, compara as três antes de assinar a primeira.
E a resposta mais comum, que não é nem sim nem não: entra, mas com torneira. Abre duas ou três aulas fora de pico, com dois lugares cada, corre três meses, faz a reconciliação todos os meses e olha para o número. Se render, abres mais. Se não render, fechas sem ter estragado nada. É assim que se testa qualquer canal novo, e este não é exceção.
Perguntas frequentes
O Wellhub cobra alguma coisa ao ginásio para entrar na rede?
A adesão não tem custo de entrada. O modelo é o inverso: é o Wellhub que te paga, por cada check-in validado, ao valor que tiverem acordado. O que negoceias é esse valor por visita, que planos aceitas e as regras de escalão. Pede tudo por escrito antes de assinar, porque o valor por check-in não é público nem uniforme.
Quando é que o Wellhub paga aos ginásios?
Mensalmente, referente ao mês anterior, para a conta registada, no dia 15 ou no dia útil seguinte. O que entra é o total dos check-ins validados nesse mês, sujeito aos limites por pessoa e ao desconto proporcional acima de determinado patamar de faturação mensal.
Se eu não validar o check-in, recebo na mesma?
Não. A validação do check-in é a peça que confirma a visita e desencadeia o pagamento ao parceiro. Um check-in que não é validado é, na prática, um treino que deste de graça. É por isso que a validação manual no portal é o ponto onde os ginásios mais perdem dinheiro sem dar por isso.
Tenho de passar fatura à pessoa que entra pelo Wellhub?
Não. Essa pessoa não te comprou nada e não te pagou nada, por isso não lhe deves emitir fatura nem recibo. A tua venda é à entidade legal da rede, mensalmente, contra o número de contribuinte dela. Na prática costuma haver autofaturação, ou seja, é a rede que emite o documento em teu nome, mas isso exige acordo prévio escrito e a menção autofaturação na fatura. Confirma no teu contrato e com o teu contabilista.
Os utilizadores do Wellhub contam como sócios do meu ginásio?
Não devem contar. Não têm contrato contigo, não pagam mensalidade e não deram consentimento para as tuas campanhas. Se os meteres nas contas de sócios ativos, a tua taxa de retenção passa a mentir. Trata-os como visitas de uma rede parceira, com registo próprio e linha de receita própria.
O Stryde integra com o Wellhub?
Sim. O horário do teu ginásio no Stryde liga-se à rede, as marcações do Wellhub caem no Stryde e ocupam lugar real, os check-ins validam-se sem ninguém ter de se lembrar, e as visitas ficam registadas com a origem certa, fora dos circuitos de cobrança e de fatura ao sócio. O dinheiro continua a ser pago diretamente pelo Wellhub à tua conta: o Stryde não fica com percentagem nenhuma.
Vou perder sócios para o Wellhub?
Podes, se a única diferença entre ser teu sócio e entrar pela rede for o preço. Um sócio cuja empresa comparticipa o Wellhub tem incentivo para cancelar a mensalidade e voltar pela rede, e isso troca receita cheia por um valor por visita com teto mensal. A defesa é dar à mensalidade direta o que a rede não dá: horas de pico garantidas, marcação com antecedência, acompanhamento e comunidade.
No fim, o Wellhub é um canal, não um modelo de negócio. Tratado como canal, com horas escolhidas, lugares limitados, check-ins validados sem falhas e contas fechadas todos os meses, enche salas que estavam vazias e traz gente nova à porta. Tratado como fonte principal de receita, troca mensalidades cheias por visitas com teto. A diferença entre as duas coisas não está no contrato que assinas, está no processo que montas por trás.
Fontes
- Centro de Ajuda Wellhub Portugal, o que é e como funciona a Wellhub em ginásios e estúdios. Pagamento por check-in ao valor acordado, número definido de check-ins pagos por mês e por utilizador, desconto proporcional acima de um patamar de faturação, pagamento mensal na conta registada no dia 15 ou no dia útil seguinte.
- Wellhub developers portal, Access Control API. O processo de check-in permite ao parceiro validar visitas legítimas de subscritores e é essencial para o pagamento correto dos check-ins realizados.
- Wellhub developers portal, Booking API. Permite publicar o horário de aulas na app e no site do Wellhub, com marcação a partir de lá e sincronização automática com o horário do parceiro.
- Wellhub para parceiros (Portugal). Página oficial da rede de parceiros em Portugal, com o modelo de adesão e o Portal do Parceiro.
- Ordem dos Contabilistas Certificados, IVA e autofaturação. Condições do n.º 11 do artigo 36.º do CIVA: acordo prévio por escrito, prova de conhecimento e aceitação pelo fornecedor, e menção autofaturação na fatura.
- Decreto-Lei n.º 28/2019 (DRE). Regras de faturação e de utilização de software certificado em Portugal.